Projeto aprovado na CCJ da Câmara Municipal quer restabelecer naturismo na Praia da Galheta; texto seguirá para outras comissões após polêmicas
O debate sobre o naturismo em Florianópolis voltou a ganhar força com a aprovação, na última segunda-feira (24), do projeto que pretende reautorizar a prática na Praia da Galheta. A proposta, de autoria dos vereadores Dinho (União) e Carla Ayres (PT), obteve parecer favorável da relatora, a vereadora Manu Vieira (PL), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Municipal. Com isso, o texto seguirá para apreciação em outras comissões antes da votação em plenário.
A Galheta é historicamente vista como um ponto de referência para o naturismo no Brasil desde os anos 1970. Em 1997, o naturismo foi oficializado por lei municipal, autorizando a nudez voluntária na faixa de areia da praia. Porém, em 2016, ao transformar a área em Monumento Natural Municipal da Galheta, a legislação revogou esse direito, suspendendo a permissão oficial para o nudismo. Desde então, frequentadores e grupos naturistas insistem na retomada da autorização.
O novo projeto busca retomar a legalização da nudez — mas com regras específicas: a prática seria permitida apenas na orla da praia, ou seja, na faixa de areia e no mar. Áreas de trilhas, costões rochosos ou vegetação não fariam parte do espaço naturista. A proposta prevê sinalização dos acessos e responsabilidade do município quanto à segurança e ordenamento do local.
Durante a votação na CCJ, restaurou-se o naturismo formalmente, mas o tema continua sensível. A relatora defendeu que o projeto não apresenta vícios constitucionais e pode seguir adiante. Já o único voto contrário veio do vereador Ricardo Pastrana (PSD), que argumenta preocupação com a segurança dos frequentadores e com relatos de desvios de conduta associados à nudez.
Nos bastidores, defensores da proposta afirmam que regulamentar a prática é o caminho para retomar a tradição naturista com respeito, organização e controle — evitando abusos e atos indevidos. O vereador Dinho declarou que o objetivo é restabelecer a identidade naturista da Galheta e desmistificar a nudez como sinônimo de “promiscuidade”.
Por outro lado, críticos apontam problemas concretos. Relatos recentes falam de lixo, abandono de trilhas, atividades sexuais, uso de drogas e falta de fiscalização — fatores que, segundo autoridades, indicam a necessidade de cautela antes de liberar novamente a nudez. A ausência de infraestrutura adequada, como policiamento fixo ou guarda-vidas, e as dificuldades de acesso via trilha aumentam a preocupação.
A proposta reacende também o debate sobre o papel do município na preservação ambiental e no respeito aos frequentadores: regular o naturismo significa, para alguns, garantir convivência harmoniosa entre público naturista, turistas e moradores — com regras claras, fiscalização e respeito mútuo. Para outros, representa um risco à segurança e ao uso público democrático da praia.
Agora, o projeto aguarda análise nas demais comissões da Câmara e voto em plenário. Caso aprovado, a regulamentação será formalizada e a Galheta poderá voltar a ser reconhecida oficialmente como praia naturista — reacendendo expectativas, da comunidade naturista aos turistas que buscam liberdade e contato com a natureza.










