
Plataforma utilizada pelas forças de segurança cruza dados de veículos e CPFs em segundos e passará por reformulação federal
O Governo Federal trabalha na reformulação do sistema Córtex, plataforma de monitoramento utilizada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) para cruzamento de informações de veículos e pessoas em todo o território nacional. A nova versão da ferramenta deve ser lançada ainda neste mês e promete ampliar os mecanismos de controle e segurança do sistema.
Considerado um dos maiores sistemas de vigilância e integração de dados do país, o Córtex é capaz de localizar informações como placas de veículos e CPFs em até dois segundos, utilizando inteligência de cruzamento de dados conectada a mais de 160 bases públicas e sigilosas.
Atualmente, a plataforma opera integrada a cerca de 35,9 mil câmeras espalhadas por rodovias, avenidas, pontes e túneis em diversas regiões do Brasil. O sistema é utilizado por órgãos de segurança pública para monitoramento em tempo real, rastreamento de veículos e apoio em investigações policiais.
A tecnologia permite a criação de cercos eletrônicos e o acompanhamento de alvos móveis por meio de videomonitoramento automatizado e reconhecimento óptico de placas.
Segundo informações divulgadas pela Agência Pública, a reformulação ocorre após auditorias apontarem falhas de segurança, riscos de uso indevido e vazamentos de dados ligados a contas vinculadas às forças de segurança do Rio de Janeiro.
O relatório também identificou indícios de utilização automatizada de contas para realização de milhões de consultas consideradas sensíveis dentro do sistema.
Além disso, foram levantadas suspeitas relacionadas à ausência de auditorias mais rígidas, consultas indevidas e falta de transparência sobre relatórios gerados pela ferramenta. À época, cerca de 55 mil usuários possuíam acesso ao sistema em todo o país.
A nova plataforma ficará sob responsabilidade do ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, que assumiu a pasta em janeiro. O objetivo, segundo o governo, é modernizar a estrutura tecnológica, reforçar protocolos de acesso e ampliar os mecanismos de rastreamento e controle interno.
Especialistas apontam que a atualização do sistema reacende o debate sobre segurança pública, proteção de dados e limites do monitoramento digital no Brasil.
Fonte: Agência Brasil









