
Processo entra em nova fase após sentença que atribuiu falhas técnicas em alteração do escapamento às mortes de quatro jovens em Balneário Camboriú
O processo que apura a morte de quatro jovens encontrados sem vida dentro de uma BMW em Balneário Camboriú entrou em uma nova etapa na Justiça catarinense. Os dois mecânicos condenados em primeira instância por homicídio culposo apresentaram recurso contra a sentença e agora aguardam a análise do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), que poderá manter, modificar ou anular a decisão proferida em março deste ano.
Os réus, Jhones Smith Jesus da Silva e Adailton Moreira da Silva, foram responsabilizados pela Justiça por falhas na execução de um serviço mecânico realizado meses antes da tragédia.
A condenação fixou pena de um ano, quatro meses e vinte dias de detenção para cada um, após o entendimento de que erros na instalação de componentes do sistema de escapamento contribuíram diretamente para o vazamento de monóxido de carbono no interior do veículo. Segundo a sentença, o serviço, avaliado em aproximadamente R$ 25 mil, incluiu modificações voltadas ao aumento de desempenho do automóvel.
Durante as investigações, laudos periciais apontaram problemas na instalação de uma peça artesanal conhecida como “downpipe”, utilizada para substituir o catalisador original. Os peritos identificaram falhas de soldagem, ausência de componentes de segurança e deficiências técnicas que teriam permitido o escape dos gases tóxicos.
Na decisão, o magistrado destacou que um dos condenados agiu com imprudência ao comercializar e encaminhar o serviço sem os cuidados necessários, enquanto o outro demonstrou imperícia na execução da modificação. O juiz também ressaltou que a solicitação do proprietário do veículo não afasta a responsabilidade criminal dos profissionais envolvidos.
Com a apresentação dos recursos, o processo segue para uma nova análise judicial. As defesas buscam a absolvição dos condenados, enquanto o Ministério Público terá oportunidade de apresentar contrarrazões antes do encaminhamento definitivo ao TJSC. A tragédia ocorreu em 1º de janeiro de 2024 e teve repercussão nacional. As investigações concluíram que a intoxicação por monóxido de carbono provocou a morte dos ocupantes do veículo. O caso se tornou um dos episódios mais emblemáticos envolvendo modificações automotivas irregulares e segurança veicular no país.
Os detalhes da fase investigativa e do indiciamento dos responsáveis podem ser conferidos nas reportagens já publicadas pelo portal, disponíveis ao final desta reportagem.
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