
Novo inquérito é desdobramento de apuração já existente e mira suposta atuação de Fábio Luís Lula da Silva em favor de empresário investigado.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, autorizou a abertura de um novo inquérito para que a Polícia Federal investigue o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. A decisão amplia uma investigação já em andamento sobre suspeitas de tráfico de influência e possível favorecimento a interesses privados em órgãos da administração pública.
Antes de autorizar a abertura do novo inquérito, o pedido da Polícia Federal foi inicialmente encaminhado ao STF para livre distribuição. Durante o plantão da Presidência da Corte, o ministro Alexandre de Moraes determinou que o procedimento fosse submetido ao sorteio eletrônico. Ao final da distribuição, o caso voltou a ser encaminhado a André Mendonça, que já conduz investigações relacionadas ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e autorizou a instauração da nova apuração.
Segundo a Polícia Federal, a nova investigação está relacionada à suposta atuação de Lulinha em benefício do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Os investigadores buscam esclarecer se houve tentativa de facilitar contatos ou negociações envolvendo a Dataprev, empresa pública responsável pelo processamento de dados da Previdência Social e de outros órgãos do governo federal.
O procedimento é tratado como um desdobramento de outro inquérito já autorizado pelo Supremo. Conforme a PF, embora os fatos tenham relação com investigações anteriores, existem elementos que justificam uma nova frente de apuração para analisar possíveis condutas envolvendo a estatal.
A defesa de Fábio Luís contestou a abertura do novo inquérito. O advogado Marco Aurélio de Carvalho afirmou que a Polícia Federal estaria adotando uma estratégia de “tentativa e erro” e classificou a iniciativa como desnecessária. Apesar das críticas, declarou confiar na atuação institucional da corporação e defendeu que seu cliente terá oportunidade de esclarecer os fatos.
Na véspera da decisão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou o assunto durante entrevista, afirmando que não utilizará o cargo para beneficiar o filho caso haja responsabilização. Segundo ele, qualquer investigação deverá seguir os trâmites legais e respeitar o devido processo.
Até o momento, a decisão do STF autoriza apenas o prosseguimento das investigações. O inquérito tem como objetivo reunir elementos para verificar se houve prática de irregularidades. Não há denúncia apresentada pelo Ministério Público, condenação ou conclusão definitiva sobre os fatos, que continuam sob investigação da Polícia Federal e supervisão do Supremo Tribunal Federal.









