A perícia foi decisiva para desmontar a versão inicial de acidente. Relembre a cronologia do caso que mobilizou a Polícia Civil e comoveu Santa Catarina. - Foto: CBMSC

Veículo foi localizado parcialmente submerso no Rio Barra Grande, em São Carlos; investigação da Polícia Civil mudaria completamente os rumos do caso dias depois.

O que parecia ser mais um grave acidente de trânsito nas rodovias catarinenses acabou se transformando em um dos casos policiais de maior repercussão no Oeste do Estado. Na tarde de 21 de julho, equipes do Corpo de Bombeiros Militar foram mobilizadas após um veículo cair da ponte sobre o Rio Barra Grande, na SC-283, entre os municípios de São Carlos e Palmitos. Dias depois, a investigação revelaria que a morte da jovem Débora Ester de Bizi Dambros, de 24 anos, não havia sido causada pelo suposto acidente.

O chamado de emergência foi registrado por volta das 16h15, quando moradores perceberam um Fiat Doblò parcialmente submerso no rio. Durante as buscas, os bombeiros localizaram o corpo da jovem na margem, sob a ponte. Ela apresentava múltiplos ferimentos e já estava sem sinais vitais, além de rigidez cadavérica, indicando que a morte havia ocorrido horas antes.

Após o resgate, equipes realizaram uma varredura completa nas margens do rio, no interior do veículo e na área ao redor da ponte para verificar a existência de outras possíveis vítimas. Nenhuma outra pessoa foi encontrada.

O local foi isolado para o trabalho da Polícia Científica e da Polícia Militar, enquanto o trânsito na SC-283 permaneceu parcialmente interrompido durante os procedimentos periciais. Naquele momento, a principal hipótese era de uma saída de pista seguida da queda do automóvel no rio.

Entretanto, exames periciais realizados nos dias seguintes começaram a apontar inconsistências entre os ferimentos apresentados pela vítima e um acidente automobilístico. A análise técnica também indicou incompatibilidade entre o horário estimado da morte e o momento em que o veículo foi encontrado.

Esses elementos levaram a Polícia Civil a aprofundar as investigações, que posteriormente revelariam que a queda do carro teria sido utilizada para ocultar um crime. As circunstâncias do caso culminaram, dias depois, na prisão do marido e do sogro da vítima, apontados como suspeitos de participação no feminicídio e na tentativa de simular um acidente para dificultar a descoberta da verdadeira causa da morte.