
Projeto liderado por pesquisadores paulistas busca viabilizar transplantes mais acessíveis no país
O Brasil alcançou um marco importante na medicina ao registrar o nascimento do primeiro porco clonado com potencial para doação de órgãos humanos. O feito inédito na América Latina foi desenvolvido por pesquisadores do Universidade de São Paulo, por meio do projeto XenoBR, em Piracicaba, interior paulista.
A iniciativa tem como objetivo avançar no chamado xenotransplante — técnica que utiliza órgãos de animais em humanos — e, no futuro, ajudar a reduzir a longa fila de espera por transplantes no Sistema Único de Saúde (SUS).
Para tornar o órgão suíno compatível com o corpo humano, os cientistas utilizaram a tecnologia CRISPR-Cas9, que permite modificar o DNA com precisão.
No processo, foram desativados genes responsáveis por provocar rejeição imediata e inseridos genes humanos para aumentar a compatibilidade biológica.
O primeiro animal gerado por esse método nasceu saudável, com cerca de 1,7 quilo, após um período de gestação de quase quatro meses.
Segundo os pesquisadores, os porcos passarão a viver em ambientes altamente controlados, com rígidos protocolos sanitários, para evitar qualquer risco de transmissão de doenças.
Nesta etapa inicial, o foco está em órgãos como rins e coração, além de tecidos como pele e córneas — que representam grande parte da demanda por transplantes no SUS.
O projeto também tem importância estratégica, pois fortalece a autonomia científica do país em uma área dominada por nações como Estados Unidos e China.
A longo prazo, a expectativa é que a tecnologia permita ampliar o acesso a transplantes, reduzindo custos e salvando vidas.









