O mandado de prisão foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Winter, cujo nome de batismo é Sara Geromini, é uma das investigadas no inquérito das fake news, que apura a disseminação de conteúdo falso na internet, além de ameaças a ministros da corte.
A prisão, no entanto, foi motivada, por outra investigação, sobre financiamento de atos antidemocráticos, também sob relatoria de Moraes. O mandado atende a um pedido da Procuradoria Geral da República (PGR).
“Os 300 do Brasil” é um grupo armado de extrema direita constituído por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, que acampavam em Brasília. O acampamento foi desmontado na manhã do último sábado (13) pelo governo do Distrito Federal. Na ocasião, Winter pediu intervenção do presidente.

No mesmo dia, cerca de 30 apoiadores de Bolsonaro lançaram fogos de artifícios contra o prédio do STF. No fim de maio, a ativista de 27 anos, foi alvo de busca e apreensão pelo inquérito das fake news. Em seguida, publicou um vídeo afirmando ter vontade de “trocar socos” com Moraes e prometendo infernizar a vida do ministro e persegui-lo.

Por causa de suas declarações, ela acabou expulsa do DEM, partido pelo qual tentou se eleger deputada federal no Rio de Janeiro nas eleições de 2018. Com 17.246 votos, não conseguiu ser eleita.

Winter reconheceu publicamente, pela primeira vez, a existência de armas dentro do acampamento, em entrevista recente à BBC News Brasil. De acordo com a ativista, as armas serviriam para “proteção dos próprios membros do acampamento”.

“Em nosso grupo, existem membros que são CACs (sigla para Colecionador, Atirador e Caçador), outros que possuem armas devidamente registradas nos órgãos competentes. Essas armas servem para a proteção dos próprios membros do acampamento e nada têm a ver com nossa militância”, afirmou.

A existência de armamento entre os membros do grupo radical despertou preocupação por supostas atividades paramilitares – o que Winter negou.

Por causa disso, o STF autorizou a abertura do procedimento para apurar quem seriam os financiadores do movimento. Na autorização para a investigação que inclui o grupo, a corte ressaltou que a Constituição brasileira veda o “financiamento e a propagação de ideias contrárias à ordem constitucional e ao Estado Democrático” e a “realização de manifestações visando ao rompimento do Estado de Direito”.

À BBC News Brasil, a autoproclamada conferencista internacional disse que defendia “métodos de ação não-violenta” e alegou que “absolutamente nenhum dos integrantes dos 300 do Brasil fala sobre ‘milícia armada’, muito menos sobre invadir o Congresso ou STF”.

Mas, em pelo menos uma carreata organizada pelo grupo, tais iniciativas foram defendidas por participantes.