Ex-senador, assim como o também ex-parlamentar Valdir Raupp, foram denunciados pela Lava Jato por supostos crimes envolvendo a Transpetro

A Justiça Federal no Paraná aceitou denúncia oferecida pela operação Lava Jato contra os ex-senadores Romero Jucá e Valdir Raupp, ambos do MDB, além de Luiz Fernando Maramaldo, Fernando Reis, Nelson Maramaldo e Sergio Machado pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro em contratos celebrados entre a Transpetro, subsidiária da Petrobras, e as empresas NM Engenharia e Odebrecht Ambiental.

De acordo com a apuração feita pelos procuradores do MPF (Ministério Público Federal) no Paraná, as empreiteiras pagavam propina aos integrantes do MDB responsáveis pela nomeação e manutenção de Machado na presidência da estatal. Em troca, ele garantiria às empreiteiras a continuidade dos contratos e a expedição de futuros convites para licitações.

O esquema de corrupção mantido na Transpetro resultou em uma série de pagamentos ilícitos disfarçados de doações eleitorais oficiais ao partido entre 2008 e 2010 e em 2012, de acordo com a denúncia.

Segundo a investigação, em 2008, a NM Engenharia pagou propina disfarçada de doação eleitoral oficial no valor de R$ 100 mil ao Diretório Estadual do MDB em Roraima, presidido na época por Jucá. O dinheiro foi utilizado para a campanha eleitoral de Elton Vieira Lopes à prefeitura de Mucajaí (RO). Ao todo, a NM Engenharia pagou R$ 1,3 milhão em vantagens indevidas, na forma de doações eleitorais, para Jucá e outros políticos do MDB. 

Já em relação à Odebrecht Ambiental, esquema semelhante ocorreu em 2012, quando o ex-senador Valdir Raupp recebeu, com o auxílio de Machado, R$ 1 milhão da empreiteira. Reis, presidente da empresa na época, utilizou outra companhia do grupo, a Barro Novo Empreendimentos Imobiliários, para fazer duas doações eleitorais oficiais no valor de R$ 500 mil cada, segundo a denúncia.

Denunciados

A assessoria de imprensa de Valdir Raupp afirmou em 2017, quando a denúncia foi feita, que ele “jamais tratou sobre doações de campanha eleitorais junto a diretores da Transpetro ou quaisquer outras pessoas até porque não foi candidato a nenhum cargo eletivo nas eleições de 2012 e 2014”. “Essas citações feitas por delatores envolvendo o seu nome e a Transpetro são inverídicas e descabidas”, afirma a nota de Raupp.

O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, representando Jucá à época, disse que a denúncia é baseada na delação premiada “já desmoralizada”.

A defesa de Sérgio Machado informou que o ex-presidente da Transpetro vai continuar ajudando na produção de provas e que o oferecimento de uma denúncia mostra que a sua delação foi eficaz.

A equipe de reportagem não conseguiu localizar a defesa dos demais denunciados.