Operação do Gaeco investiga esquema de atestados falsos e prende médico após confronto com policial - Foto: Gaeco/Divulgação

Médico é preso após atirar contra policial durante ação do Gaeco que investiga fraude em pedidos de prisão domiciliar

Uma operação de grande porte deflagrada na manhã desta terça-feira (5) mobilizou forças de segurança em diversas cidades de Santa Catarina e do Paraná para investigar um esquema que utilizava atestados médicos falsos com o objetivo de beneficiar detentos com prisão domiciliar. Batizada de “Efeito Colateral”, a ação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público de Santa Catarina, e cumpre dezenas de mandados judiciais em municípios como Itajaí, Balneário Camboriú e Joinville.

De acordo com as investigações, o esquema envolvia a atuação conjunta de profissionais que teriam produzido documentos médicos ideologicamente falsos, simulando doenças graves ou condições clínicas inexistentes. Esses laudos eram utilizados para fundamentar pedidos judiciais que buscavam a saída de presos do sistema penitenciário, especialmente do Complexo de Itajaí, transferindo-os para o regime domiciliar.

As apurações indicam que muitos dos beneficiados seriam lideranças de organizações criminosas. Em diversos casos, após a concessão do benefício, esses detentos teriam descumprido as condições impostas pela Justiça, rompendo tornozeleiras eletrônicas e passando à condição de foragidos, o que reforça a gravidade das suspeitas investigadas.

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Ação policial apreende armas e documentos durante operação contra fraude em pedidos de prisão domiciliar – Foto: MPSC/Divulgação

Durante o cumprimento dos mandados, um dos episódios mais graves ocorreu quando equipes policiais se dirigiram até a residência de um dos investigados. Conforme informações das autoridades, ao se identificarem, os agentes teriam sido recebidos com disparos de arma de fogo. Um policial militar foi atingido na perna e precisou ser socorrido, sendo encaminhado ao hospital com estado de saúde considerado estável.

O suspeito, identificado como médico com atuação na região, foi preso em flagrante. No local, foram apreendidas armas de diferentes calibres, munições e materiais que podem contribuir para o avanço das investigações. A circunstância do disparo e a eventual responsabilização criminal pelo ataque também serão apuradas em procedimento específico.

Além das prisões, a operação resultou na apreensão de equipamentos eletrônicos, documentos e arquivos digitais que indicariam a produção e circulação dos atestados falsos. O material será analisado pela Polícia Científica, responsável por realizar perícia técnica e extração de dados que devem auxiliar na identificação de outros envolvidos e no detalhamento do esquema.

A ação conta com apoio de diferentes órgãos de segurança e busca não apenas responsabilizar os investigados, mas também impedir a continuidade de práticas que podem comprometer o sistema de justiça e a segurança pública. Até o momento, a defesa dos suspeitos não se manifestou oficialmente sobre o caso.