
Profissional atuou em unidades de saúde, teve registro cassado e ficou foragido após condenação
A prisão do médico Neandro Schiefler, realizada no último sábado (2) em Praia Grande (SP), representa um desfecho importante em um caso que se arrastou por anos e expôs uma série de crimes graves cometidos contra pacientes em Santa Catarina. Condenado a mais de 16 anos de prisão, ele estava foragido desde 2025, quando a Justiça determinou sua captura após o trânsito em julgado da sentença.
As investigações tiveram início ainda em 2017, a partir de denúncias que apontavam abusos durante atendimentos médicos. Com o avanço das apurações, conduzidas pela Polícia Civil de Itajaí, veio à tona um padrão alarmante: pacientes em situação de vulnerabilidade, muitas vezes desacordadas ou sob efeito de medicamentos, teriam sido vítimas de violência sexual dentro de ambientes que deveriam garantir cuidado e segurança.
Em 2019, o médico chegou a ser preso dentro da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Cordeiros, onde atuava. Na ocasião, a detenção ocorreu no contexto da operação que investigava os crimes, mas ele acabou sendo liberado posteriormente para responder ao processo em liberdade, o que permitiu a continuidade das investigações e o aprofundamento das provas.
Ao longo do processo, surgiram novos relatos e evidências, incluindo registros que reforçaram a gravidade das acusações. Segundo a polícia, os materiais analisados indicavam práticas reiteradas de abuso, caracterizando crimes como estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude.
Na esfera administrativa, o Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC) cassou o registro profissional do médico em 2023, proibindo-o definitivamente de exercer a medicina. A decisão destacou violações graves ao Código de Ética Médica, especialmente no que diz respeito ao respeito à dignidade dos pacientes e à confiança inerente à relação médico-paciente.
Com a condenação definitiva, a Justiça decretou a prisão em outubro de 2025. No entanto, o médico não foi localizado à época, passando a ser considerado foragido. A captura ocorreu apenas anos depois, já em 2026, quando ele foi identificado por sistemas de reconhecimento facial enquanto circulava em via pública no litoral paulista.
Abordado pela Guarda Municipal, ele foi encaminhado à Central de Polícia Judiciária e permanece à disposição da Justiça. O caso, que gerou forte comoção, reacende o debate sobre a importância de mecanismos de controle, fiscalização profissional e proteção às vítimas, especialmente em ambientes de atendimento à saúde, onde a confiança é elemento essencial.









