Reajuste do salário mínimo regional de Santa Catarina foi definido por consenso entre representantes de trabalhadores e empregadores e agora segue para análise da Assembleia Legislativa — Foto: Reprodução/EBC

Acordo entre trabalhadores e empregadores define novos valores do piso estadual, que variam de R$ 1.842 a R$ 2.106

O salário mínimo regional de Santa Catarina, conhecido como piso salarial estadual, terá reajuste médio de 6,49% em 2026, conforme acordo firmado entre representantes dos trabalhadores e do setor empresarial. A definição foi construída por consenso durante as negociações realizadas em Florianópolis, mantendo a tradição catarinense de diálogo direto entre as partes envolvidas.

Com a atualização, os valores passam a variar entre R$ 1.842 e R$ 2.106, dependendo do setor econômico e da atividade profissional enquadrada em cada faixa salarial. A proposta negociada será encaminhada ao Governo do Estado, que deverá transformá-la em projeto de lei para análise e votação na Assembleia Legislativa de Santa Catarina.

O modelo catarinense de definição do piso regional é considerado referência no país por priorizar a negociação coletiva. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina, Gilberto Seleme, destacou que o acordo reflete a maturidade das relações entre trabalhadores e empresários. Segundo ele, o entendimento demonstra que o diálogo pode contribuir para o desenvolvimento econômico e social do estado.

Para representantes sindicais, o reajuste também representa um avanço na valorização do trabalho. O coordenador sindical do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos em Santa Catarina, Ivo Castanheira, ressaltou que o piso regional é uma ferramenta importante para promover distribuição de renda e garantir melhores condições salariais para milhares de trabalhadores.

Como funciona o piso regional

O salário mínimo regional foi instituído pela Lei Complementar nº 459 de 2009, passando a valer a partir de 2010. Desde então, os valores são atualizados anualmente por meio de negociações entre federações empresariais e centrais sindicais.

Esse piso é aplicado aos trabalhadores que não possuem salário mínimo definido por convenção coletiva, acordo sindical ou legislação federal específica. Dessa forma, ele funciona como uma referência salarial para diversas categorias da economia catarinense, abrangendo setores da agricultura, indústria, comércio e serviços.

Novos valores do salário mínimo regional

Com o reajuste definido para 2026, as quatro faixas salariais ficam assim:

1ª faixa – R$ 1.842
Abrange trabalhadores da agricultura, pecuária, pesca, aquicultura, indústrias extrativas, construção civil, empregados domésticos, motoboys e trabalhadores do transporte em geral (exceto motoristas).

2ª faixa – R$ 1.908
Inclui profissionais das indústrias do vestuário, calçados, fiação, tecelagem, couro, papel, papelão, mobiliário, além de trabalhadores de telemarketing, comunicação e administração de jornais e revistas.

3ª faixa – R$ 2.022
Aplica-se a setores da indústria química, farmacêutica e alimentícia, além de trabalhadores do comércio em geral e agentes autônomos do comércio.

4ª faixa – R$ 2.106
Contempla atividades mais especializadas, como indústrias metalúrgicas e mecânicas, gráficas, produção de vidro e cerâmica, joalheria, trabalhadores da saúde, profissionais de processamento de dados, auxiliares administrativos em instituições de ensino e motoristas do transporte em geral.

Impacto econômico

O reajuste do piso regional tem impacto direto na renda de milhares de trabalhadores catarinenses, especialmente daqueles que atuam em setores que não possuem convenções coletivas com salários mínimos próprios.

Além de garantir um patamar salarial mais elevado que o mínimo nacional em diversas atividades, o modelo adotado em Santa Catarina busca equilibrar os interesses de trabalhadores e empresas, contribuindo para a estabilidade econômica e social do estado.

Após a aprovação do projeto de lei na Assembleia Legislativa e a sanção do governador, os novos valores deverão entrar em vigor oficialmente, passando a orientar as remunerações mínimas aplicadas em diferentes segmentos da economia catarinense.