Defesa do adolescente indiciado divulga vídeo que, segundo os advogados, mostra o suposto cão Orelha circulando pela Praia Brava horas após as agressões — Vídeo: Divulgação

Autoridades reiteram que gravação não enfraquece evidências coletadas em inquérito concluído sobre a agressão

A Polícia Civil de Santa Catarina confirmou que o vídeo divulgado pela defesa do adolescente indiciado pela agressão ao cão Orelha mostra, sim, o animal em movimento horas após o período em que as autoridades estimam que a violência ocorreu, mas reafirmou que isso não altera o rumo da investigação. A declaração foi feita pela delegada responsável pela Delegacia de Proteção Animal, Mardjoli Adorian Valcareggi, durante a conclusão do inquérito.

Segundo a polícia, o material audiovisual analisado mostra um cão caminhando pela Praia Brava por volta das 7h do dia 4 de janeiro, depois do horário em que teria ocorrido a agressão registrada entre 5h25 e 5h58 naquela manhã. A gravação foi utilizada pela defesa para questionar elementos do relatório policial.

A delegada explicou que em nenhum momento a corporação afirmou que Orelha havia sido agredido até a morte no instante dos maus-tratos, e que a lesão evoluiu ao longo das horas seguintes até o animal ser resgatado por moradores e levado para atendimento veterinário no dia seguinte, quando seu quadro clínico se agravou.

A investigação concluiu que o cão foi intensamente ferido com um golpe na cabeça na madrugada de 4 de janeiro e que isso comprometeu sua condição de saúde, levando-o à morte durante tratamento posterior. Para chegar a essa conclusão, a Polícia Civil analisou mais de mil horas de filmagens de câmeras de segurança espalhadas pela região da Praia Brava e ouviu diversas testemunhas.

A defesa do adolescente, representada pelos advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, afirmou que as imagens divulgadas poderiam comprometer a acusação, pois mostrariam o animal em aparente condição de bem-estar após o horário indicado pela polícia. A estratégia, segundo os defensores, visa demonstrar que os indícios contra o jovem são frágeis.

Apesar da apresentação desse novo conteúdo audiovisual, a Polícia Civil manteve a sua avaliação do conjunto probatório e entregou o inquérito ao Ministério Público de Santa Catarina, onde seguirá para análise judicial. O caso segue sob acompanhamento das autoridades competentes.

Fonte: ND+