
Defesa de Juliana Ferraz contesta versão policial e afirma que ela era vítima de violência e deixou SC por medo, não fuga
Desdobramento do caso Guilherme Montani com prisão da suspeita
A investigação sobre a morte do personal trainer Guilherme Montani, de 34 anos, avançou de forma decisiva nesta semana, após a Polícia Civil confirmar a prisão da mulher apontada como principal suspeita do crime. Juliana Ferraz, ex-companheira da vítima, foi localizada na madrugada de segunda-feira (5) em Campo Mourão, no Paraná, depois de dias foragida. A prisão ocorreu em um espaço público, durante ação conjunta de policiais militares paranaenses que foram informados sobre o mandado expedido pela Delegacia de Homicídios de Itajaí.
Segundo a defesa, Juliana pretendia se apresentar voluntariamente à delegacia ainda na manhã de segunda-feira, mas acabou detida antes disso. A advogada Fátima Cristina Ferreira afirma que a cliente estava emocionalmente abalada e que deixou Santa Catarina temendo represálias, e não por tentativa de escapar da polícia. Após ser encontrada, ela foi encaminhada ao sistema prisional, onde permanece à disposição da Justiça.
Investigação avança e aponta execução planejada
De acordo com o delegado Roney Péricles, responsável pelo caso, a linha investigativa indica que Juliana agiu sozinha e de maneira premeditada. As diligências revelaram que a suspeita aguardou por cerca de 40 minutos nas proximidades da academia onde Guilherme trabalhava. Disfarçada com uma peruca loira, ela teria surpreendido o ex-parceiro ao interceptá-lo na praça dos Correios, local por onde ele passava diariamente após encerrar o expediente.
Imagens coletadas pela investigação e relatos de testemunhas reforçam a hipótese de que Guilherme foi alvejado por vários disparos a curta distância. Após o ataque, a atiradora teria fugido a pé e, segundo indícios, chamado um carro por aplicativo logo em seguida. Mesmo com buscas imediatas, ela não foi localizada na noite do crime.
O delegado afirma que o inquérito está em fase final e que a autoria está “claramente definida”, restando apenas consolidar as circunstâncias e a eventual motivação. A principal hipótese trabalhada pela polícia é a de motivação passional, especialmente porque Guilherme havia anunciado recentemente seu noivado com a nova companheira.
Defesa rebate e fala em histórico de violência
A versão da defesa, no entanto, segue caminho oposto ao da polícia. A advogada reforça que Juliana nega ter cometido o homicídio e sustenta que ela própria era vítima de um relacionamento marcado por agressões físicas, controles emocionais e ameaças constantes. Em um dos episódios citados pela defesa, Juliana teria sido ferida com uma facada no braço ao tentar se defender de uma discussão mais violenta.
O relacionamento, segundo a equipe jurídica, havia terminado meses antes, mas ainda envolvia conflitos relacionados ao apartamento e ao veículo que o casal possuía em comum. Documentos apresentados pela defesa apontam que Juliana havia procurado atendimento psicológico para conseguir encerrar o vínculo, e que chegou a obter uma medida protetiva — posteriormente revogada pela Justiça.
A advogada afirma ainda que Juliana abandonou o imóvel onde vivia após ser ameaçada, temendo que algo acontecesse com ela ou seus familiares. Novamente, ela insiste que a saída da cidade nos últimos dias ocorreu por medo, não por tentativa de fuga.
Outras hipóteses levantadas
Outro ponto levantado pela defesa é a possibilidade de o crime ter sido cometido por alguma pessoa com quem Guilherme teria se envolvido ao longo do relacionamento. Segundo a advogada, Juliana acreditava que o ex-marido mantinha relações paralelas e que isso pode ter despertado ciúmes em terceiros, hipótese que, até o momento, não aparece entre as linhas investigativas da Polícia Civil.
Apesar da contestação da defesa, o delegado responsável pelo caso afirma que todas as provas reunidas até agora apontam somente para Juliana. Ele destaca que a investigação continuará busca de novos elementos para encerrar o inquérito com “completude e segurança jurídica”.
Reconstituição do crime
O ataque ocorreu por volta das 20h de 18 de novembro, no Centro de Itajaí. Guilherme deixava a academia onde trabalhava quando foi surpreendido na praça dos Correios. Ele não teve tempo de reagir e acabou atingido por diversos disparos. O socorro foi chamado rapidamente, mas o personal trainer morreu no local. Desde então, o caso ganhou grande repercussão na região, ampliando a pressão sobre a polícia pelo esclarecimento dos fatos.
A defesa informa que Juliana pretende prestar depoimento assim que for autorizada, afirmando que deseja apresentar sua versão e colaborar com o andamento do inquérito.
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