Projeto desenvolvido pelo TJSC, UFSC e pesquisadores internacionais pretende auxiliar autoridades a reconhecer fatores de risco e agir antes que casos de violência doméstica evoluam para feminicídio. - Imagem criada por IA

Projeto pioneiro reúne pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos para ajudar o Estado a reconhecer sinais de violência extrema e ampliar a proteção às mulheres

Uma iniciativa inédita desenvolvida em Santa Catarina poderá representar um importante avanço no combate à violência contra as mulheres. O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a pesquisadora norte-americana Dabney Evans, da Emory University, está construindo uma ferramenta capaz de identificar fatores associados ao risco de feminicídio antes que o crime aconteça.

A proposta busca mudar uma lógica histórica no enfrentamento à violência doméstica. Em vez de atribuir exclusivamente à vítima a responsabilidade de perceber o perigo e buscar ajuda, o projeto pretende oferecer ao Estado instrumentos para reconhecer sinais de alerta, agir preventivamente e ampliar a proteção às mulheres em situação de vulnerabilidade.

Segundo os idealizadores, a pesquisa parte da constatação de que muitos feminicídios apresentam comportamentos e padrões repetidos antes da tragédia. A intenção é identificar quais características diferenciam agressores que exercem violência e controle daqueles que apresentam maior risco de cometer assassinatos motivados por gênero.

O estudo teve início no final de 2025 e foi apresentado recentemente durante o III Seminário do Programa Indira, promovido pelo TJSC em Florianópolis. A pesquisadora Dabney Evans destacou que o trabalho terá foco no comportamento dos autores da violência e não apenas nas vítimas.

Projeto pioneiro reune pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos
Dabney Evans, especialista em violência doméstica e pesquisadora da Emory University, integra estudo inédito que pretende auxiliar autoridades a reconhecer sinais de risco e prevenir feminicídios. – Foto: TJSC/Divulgação

A construção da ferramenta ocorrerá em várias etapas. Inicialmente, centenas de fatores de risco identificados pela literatura científica serão avaliados por especialistas. Em seguida, profissionais que atuam na rede de proteção às mulheres participarão das análises. Posteriormente, condenados por feminicídio e outros tipos de violência doméstica também responderão questionários que ajudarão a definir padrões de comportamento.

Ao final, será criada uma escala de risco que poderá auxiliar juízes, policiais, promotores, assistentes sociais e demais profissionais a identificar situações de perigo elevado e adotar medidas de proteção antes que a violência alcance seu estágio mais extremo.

A expectativa é que o projeto seja concluído em 2027. Os pesquisadores acreditam que a ferramenta poderá contribuir para salvar vidas e fortalecer as políticas públicas de prevenção, em um país onde, segundo dados apresentados em iniciativas nacionais de enfrentamento ao feminicídio, quatro mulheres são assassinadas por dia em razão de sua condição de gênero.