
Jovem de Chapecó foi encontrada sem vida em Ciudad del Este; ex-companheiro é suspeito e está foragido
O assassinato da estudante de medicina Júlia Vitória Sobierai Cardoso, de 23 anos, segue gerando forte comoção e mobilização por justiça. Natural de Chapecó, a jovem foi encontrada morta na sexta-feira (24), dentro do apartamento onde morava, no bairro Obrero, Área 3, em Ciudad del Este, cidade localizada na fronteira com o Brasil.
Júlia cursava medicina no Paraguai e vivia no imóvel com colegas. A descoberta do crime ocorreu após uma das moradoras estranhar a ausência da jovem e acessar o quarto. Antes disso, ela relatou ter ouvido uma discussão no local entre a vítima e um homem.
A perícia apontou um cenário de extrema violência. Júlia foi atingida por 67 golpes de arma branca — sendo cerca de 60 causados por uma tesoura de cutícula e outros com faca. Entre os ferimentos, dois atingiram a região do pescoço. Os objetos utilizados no crime foram encontrados no próprio apartamento.
No ambiente, os investigadores também identificaram vestígios como marcas de sangue, pegadas de calçados e sinais de movimentação, indicando a intensidade da agressão.
Segundo informações iniciais o principal suspeito é o ex-namorado da jovem, o relacionamento entre os dois havia terminado há aproximadamente quatro meses, mas ele tentava retomar o contato, o que reforça a linha de investigação de feminicídio.
Após o crime, o suspeito desapareceu e segue foragido. Diante da possibilidade de fuga internacional, o caso mobilizou o Comando Tripartite — força que integra autoridades do Brasil, Paraguai e Argentina — para auxiliar nas buscas.
A despedida de Júlia foi marcada por forte emoção. O velório teve início na noite de domingo (26) e seguiu ao longo da segunda-feira (27), reunindo familiares e amigos no Cemitério Parque Jardim dos Florais, em Navegantes, onde também ocorreu o sepultamento.
Nas redes sociais, familiares expressaram a dor da perda e pediram justiça. Mensagens de despedida destacaram o vazio deixado pela jovem, descrita como dedicada, afetuosa e com um futuro promissor na medicina.
A polícia paraguaia segue conduzindo as investigações, tratando o caso como feminicídio. O inquérito busca esclarecer todos os detalhes da dinâmica do crime, incluindo a possível participação de terceiros antes ou após o ocorrido.
O caso reacende o alerta sobre a violência contra mulheres, especialmente em contextos de término de relacionamento, onde o risco pode se intensificar de forma silenciosa e fatal.









