
Keiko Fujimori mantém vantagem mínima sobre Roberto Sánchez, enquanto recursos eleitorais e pedidos de revisão impedem a proclamação oficial do resultado
O Peru continua vivendo um cenário de incerteza política mesmo após a Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) informar que 100% das atas eleitorais do segundo turno presidencial já foram processadas. A disputa entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez permanece aberta porque parte dos votos segue sob análise da Justiça Eleitoral peruana, impedindo a divulgação do resultado definitivo.
Os números mais recentes revelam uma disputa voto a voto entre os candidatos. Keiko aparece com uma vantagem de poucos milhares de votos em um universo superior a 18 milhões de sufrágios, tornando esta uma das eleições mais equilibradas da história recente do país.
Diante do cenário apertado, Roberto Sánchez solicitou uma revisão ampla das atas que ainda podem ser reavaliadas pela legislação eleitoral. O candidato afirmou que a medida busca fortalecer a confiança da população no processo democrático e chegou a convidar publicamente Keiko Fujimori para apoiar uma revisão conjunta dos documentos contestados.
Grande parte das discussões está concentrada nas chamadas “atas observadas”. Esses documentos apresentam inconsistências formais, divergências numéricas, impugnações ou questionamentos apresentados pelas campanhas e, por isso, precisam passar pela análise dos Jurados Eleitorais Especiais e do Júri Nacional de Eleições antes de serem incorporados ao resultado final.

Outro foco de controvérsia envolve votos registrados no exterior, especialmente em países onde existe uma grande comunidade peruana. Integrantes da campanha de Sánchez afirmam que desejam esclarecimentos sobre a cadeia de custódia de parte desses documentos. Em termos práticos, a preocupação está relacionada ao percurso realizado pelas atas desde o momento da votação nos consulados e embaixadas até sua chegada aos órgãos responsáveis pela apuração. O objetivo é garantir que os documentos não tenham sofrido extravios, alterações ou falhas de controle durante o processo.
Os questionamentos também envolvem os procedimentos adotados para a digitalização das atas internacionais. Segundo representantes da coligação de Sánchez, algumas regras operacionais teriam sido modificadas entre o primeiro e o segundo turno, especialmente nos processos de envio, armazenamento e validação eletrônica dos documentos. A campanha defende uma auditoria completa para assegurar transparência, rastreabilidade e segurança jurídica em todas as etapas da apuração. Até o momento, entretanto, os órgãos eleitorais do Peru e observadores internacionais não apontaram evidências de fraude ou irregularidades capazes de comprometer a legitimidade do pleito.
Enquanto os recursos seguem sendo analisados, o país permanece à espera da decisão final das autoridades eleitorais. O resultado oficial somente poderá ser proclamado após a conclusão de todos os julgamentos relacionados às atas observadas e aos pedidos apresentados pelas campanhas.
A indefinição prolonga o clima de expectativa e tensão política em um país que atravessa anos de instabilidade institucional e sucessivas crises de governabilidade. Independentemente de quem seja declarado vencedor, a expectativa é de que a conclusão do processo ocorra apenas após o encerramento de todas as etapas legais previstas pela legislação eleitoral peruana, encerrando uma das disputas presidenciais mais apertadas e acompanhadas da história recente do Peru.
*Com informações da RPP









