Equipes do MPSC e da Polícia Civil durante a operação que desarticulou o esquema do “golpe do falso advogado” em três estados – Foto: Divulgação/MPSC

Golpistas usavam dados reais de processos e identidade de advogados para enganar vítimas em três estados

Uma grande operação conduzida pela Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) em conjunto com o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) realizou, nesta quinta-feira (23), a prisão temporária de 16 pessoas suspeitas de integrar um esquema que aplicava o chamado “golpe do falso advogado”. Em paralelo foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao grupo nos estados do Ceará e Rio de Janeiro, além de bloqueios de bens e contas bancárias.

O esquema funcionava a partir da obtenção de dados reais de advogados catarinenses — como número da OAB, processos judiciais — para fazer contato com vítimas que tinham causas em tráfego na Justiça, e lhes prometer valores a receber mediante pagamento de “custas” ou “taxas” inexistentes. Uma das vítimas, de Florianópolis, transferiu cerca de R$ 270 mil acreditando se tratar do pagamento de honorários para liberação de um valor judicial. Os investigados solicitavam depósitos ou Pix para contas de fachada ou pessoas interpostas. A operação marcou um esforço articulado entre PCSC, OAB/SC e polícias de outros estados, visando desarticular estruturas interestaduais. Documentos apreendidos indicam atuação sofisticada e profissionalizada dos criminosos, com divisão de funções entre captação de dados, contato com vítimas, falsificação de documentos e movimentação financeira.

As autoridades ressaltam que, embora o prejuízo de R$ 270 mil seja significativo, o valor pode ainda subir com a continuidade das investigações. Além da responsabilização criminal por estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro, o golpe atinge a confiança no sistema jurídico e expõe vítimas à fragilidade emocional e financeira. A instituição de proteção à advocacia ressalta que esse tipo de fraude lesa não apenas indivíduos, mas a credibilidade da classe como um todo. A recomendação agora é que quem recebe contato sobre supostos “honorários” ou “custas de processo” confirme diretamente com seu advogado, não realize pagamentos sem verificação prévia e registre boletim de ocorrência ao primeiro sinal de fraude.