Entre redes, mar e esperança, pescadores agradeceram pela fartura da safra em um dos momentos mais emocionantes da temporada da tainha em Florianópolis. - Foto: Reprodução/G7SC

Cena de fé e gratidão emocionou moradores e turistas durante a safra da tainha na Praia do Santinho

Uma cena marcada pela fé, gratidão e respeito às tradições do mar emocionou moradores e turistas na Praia do Santinho, em Florianópolis, durante a atual safra da tainha. Após uma puxada considerada farta, pescadores artesanais formaram uma grande corrente de mãos dadas diante das centenas de peixes espalhados pela areia e realizaram uma oração coletiva de agradecimento.

O momento foi registrado por pessoas que acompanhavam o lanço e rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais. Com os braços erguidos e voltados para o mar, homens e mulheres agradeceram pela abundância da pesca e pela proteção durante mais uma jornada de trabalho.

A cena traduz um dos aspectos mais simbólicos da pesca artesanal catarinense, que vai muito além da atividade econômica. Em diversas comunidades litorâneas, a safra da tainha representa união familiar, preservação cultural e um legado transmitido entre gerações.

A Praia do Santinho integra a tradicional Rota da Tainha de Florianópolis, que reúne 26 praias reconhecidas pela prática. A Capital catarinense é considerada um dos principais polos da pesca artesanal do país, reunindo cerca de 1,5 mil pescadores envolvidos diretamente na atividade.

A safra de 2026 começou sob novas regras definidas pelo Ministério da Pesca e Aquicultura e pelo Ministério do Meio Ambiente. Com base na avaliação mais recente dos estoques da espécie, o limite total de captura foi ampliado em aproximadamente 20% em relação aos anos anteriores.

Para o arrasto de praia, modalidade tradicional dos ranchos catarinenses, foi estabelecida cota de 1.332 toneladas, com 419 licenças autorizadas em Santa Catarina. Já o emalhe anilhado recebeu limite de 1.094 toneladas e o emalhe costeiro de superfície poderá capturar até 2.070 toneladas nas regiões Sul e Sudeste. A modalidade industrial de cerco ou traineira contará com cota de 720 toneladas.

O calendário também varia conforme a modalidade. Enquanto o cerco/traineira e o emalhe anilhado seguem até 31 de julho, o arrasto de praia permanece autorizado de 1º de maio até 31 de dezembro, mantendo viva uma tradição centenária que continua unindo comunidades inteiras ao longo do litoral catarinense.