
Laudos periciais, testemunhos e provas reunidas pela Polícia Civil reforçam a tese de homicídio qualificado; investigado segue preso preventivamente
A Polícia Civil concluiu a investigação sobre o homicídio que chocou Chapecó no fim de maio e apontou que a vítima, um homem de 42 anos, foi perseguida por aproximadamente uma hora antes de ser morta a tiros. O inquérito resultou no indiciamento de um empresário da cidade pelos crimes de homicídio qualificado e posse irregular de arma de fogo.
De acordo com a apuração, o investigado teria iniciado uma busca pela vítima após receber informações sobre um suposto furto ocorrido em uma farmácia do bairro Santo Antônio. Os policiais identificaram que ele percorreu diversas ruas da região em um veículo particular até localizar o homem. Quando o encontrou, teria iniciado uma perseguição que incluiu manobras perigosas, chegando a subir em calçadas e danificar o próprio automóvel durante a tentativa de alcançar a vítima.
Segundo a Polícia Civil, a fuga terminou em uma área de campo próxima à Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). A investigação aponta que o homem tentou escapar correndo, mas acabou alcançado. Neste momento, o suspeito teria descido do veículo e efetuado quatro disparos. Dois tiros atingiram a vítima pelas costas.
Os laudos periciais tiveram papel decisivo na conclusão do inquérito. Conforme os investigadores, os projéteis atingiram órgãos vitais e provocaram um choque hipovolêmico severo. A análise técnica também indicou que os disparos foram realizados em condições incompatíveis com a versão inicialmente apresentada pelo investigado, reforçando a tese de que a vítima não teve possibilidade de reação ou defesa.
Outro elemento considerado relevante foi o depoimento de uma testemunha que presenciou a ação. Segundo relato prestado à polícia, após os disparos o autor teria afirmado ter matado um ladrão e pedido para não ser denunciado.
A investigação também apontou que a arma utilizada no crime, um revólver calibre 38, não possuía registro. Segundo a Polícia Civil, o equipamento era mantido irregularmente pelo investigado há vários anos, circunstância que também motivou seu indiciamento por posse irregular de arma de fogo.
A investigação também concluiu que não houve acionamento das forças de segurança antes da perseguição. A proprietária da farmácia informou que os produtos levados — um perfume e um desodorante — tinham baixo valor e que inicialmente nem pretendia registrar ocorrência. Para os investigadores, não havia qualquer circunstância que justificasse o uso da força letal.
O empresário permanece à disposição da Justiça. Em nota, a defesa afirmou que existem fatos anteriores ao episódio que precisam ser considerados durante o processo e declarou confiança de que todas as circunstâncias serão analisadas pelas autoridades competentes.
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