Botos participam da tradicional pesca artesanal em Laguna e ajudam pescadores a cercar cardumes na Lagoa Santo Antônio dos Anjos — Foto: Prefeitura de Laguna/Divulgação

Em Laguna, parceria entre pescadores artesanais e os animais transforma a pesca em espetáculo raro da natureza

Quem visita a cidade de Laguna, no Sul de Santa Catarina, dificilmente esquece o espetáculo que acontece nas águas da Lagoa Santo Antônio dos Anjos. Ali, pescadores artesanais dividem o trabalho com parceiros inesperados: os botos, animais conhecidos pela inteligência e pela curiosa interação com o ser humano.

A cidade abriga cerca de 50 botos, sendo que aproximadamente metade deles participa de uma prática rara no mundo: a pesca cooperativa com os pescadores locais. O comportamento acontece principalmente na região do canal da barra e dos molhes, onde os animais ajudam a conduzir cardumes de peixes em direção às redes lançadas pelos pescadores.

O momento da captura exige atenção. Quando o boto dá um sinal característico — geralmente um movimento específico na água — os pescadores arremessam a tarrafa. O resultado beneficia ambos: os pescadores aumentam as chances de captura e os botos se alimentam dos peixes que escapam da rede.

Essa parceria entre homem e natureza já atravessa gerações e se tornou uma das marcas culturais mais fortes da cidade. Em 2016, Laguna recebeu oficialmente o título de Capital Nacional do Boto Pescador, reconhecimento concedido pela Lei Federal nº 13.818.

Botos são atração em Laguna e auxiliam na pesca artesanal (Foto: Prefeitura de Laguna, Divulgação)
Botos ajudam pescadores durante a tradicional pesca artesanal e se tornam uma das maiores atrações naturais de Laguna — Foto: Prefeitura de Laguna/Divulgação

Além da importância cultural, o fenômeno também impulsiona o turismo na região. Visitantes de várias partes do Brasil e até do exterior chegam à cidade para assistir de perto a interação entre pescadores e botos, considerada uma das relações mais fascinantes entre humanos e animais marinhos.

Pesquisadores, fotógrafos e curiosos também frequentam a região para observar e estudar o comportamento desses cetáceos. Muitos pescadores chegam a identificar os animais por características próprias e até lhes dão nomes, reforçando o vínculo construído ao longo dos anos.

A tradição, que mistura sobrevivência, cultura e respeito à natureza, segue viva e representa um dos exemplos mais impressionantes de convivência harmoniosa entre o ser humano e o meio ambiente.