Pesquisa mostra que brasileiros passaram a discutir impactos econômicos antes de apoiar mudanças na jornada de trabalho - Foto: Divulgação

Entidade cita nova pesquisa nacional que aponta aumento da preocupação da população com desemprego, inflação e impactos econômicos

A discussão sobre o fim da escala 6×1 voltou a ganhar força no cenário político nacional, mas o avanço do tema no Congresso Nacional começa a enfrentar uma resistência crescente diante das preocupações econômicas envolvendo a proposta. A avaliação é da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), que utilizou dados de uma nova pesquisa AtlasIntel, realizada em parceria com o jornal A Tarde, para defender um debate mais amplo e técnico antes de qualquer mudança definitiva na legislação trabalhista.

Segundo o levantamento, o apoio popular ao fim da escala 6×1 ainda permanece majoritário, mas vem registrando queda contínua nos últimos meses. Atualmente, 56,2% dos brasileiros afirmam apoiar a proposta. Apesar disso, o índice está bem abaixo do registrado no início do ano, quando pesquisas apontavam aprovação superior a 70%.

Para a Abrasel, o movimento demonstra que parte da população passou a analisar o tema com mais cautela à medida que o debate começou a incluir possíveis impactos econômicos, principalmente relacionados ao aumento de preços, geração de empregos e funcionamento de setores que dependem de operação contínua.

A entidade destaca que comércio, turismo, bares, restaurantes, hotelaria e serviços essenciais estão entre os segmentos que mais poderiam sentir os reflexos da mudança. Em estados turísticos como Santa Catarina, onde boa parte da economia depende de atividades realizadas diariamente, empresários demonstram preocupação com o aumento dos custos operacionais e possíveis dificuldades para manter equipes completas.

Outro dado apontado pela pesquisa reforça esse cenário: entre os brasileiros favoráveis ao fim da escala 6×1, muitos afirmaram que poderiam rever sua posição caso a medida provoque inflação, fechamento de empresas ou redução de postos de trabalho. A percepção de que a mudança poderá impactar diretamente o custo de vida passou a influenciar o posicionamento de parte dos entrevistados.

O presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, afirmou que o debate precisa ocorrer de maneira responsável e com transparência sobre os efeitos econômicos da proposta. Segundo ele, a população começou a perceber que mudanças estruturais na jornada de trabalho exigem planejamento, estudos técnicos e diálogo entre trabalhadores, empresários e governo.

“A discussão deixou de ser apenas emocional e passou a incorporar questões práticas. As pessoas começaram a questionar quem pagará essa conta e quais serão os impactos reais para o funcionamento dos serviços e para a economia”, destacou.

Em Santa Catarina, a presidente da Abrasel SC, Juliana Débastiani, também demonstrou preocupação com a velocidade da tramitação da proposta no Congresso. Segundo ela, setores ligados ao turismo e à alimentação dependem de funcionamento contínuo, especialmente nos finais de semana e durante períodos de alta temporada.

Ela avalia que uma mudança abrupta poderá gerar reflexos diretos sobre preços, contratação de mão de obra e manutenção de pequenos negócios, principalmente em cidades que vivem do turismo.

A pesquisa AtlasIntel também mostrou que a maioria dos brasileiros prefere que qualquer alteração na jornada de trabalho seja aprovada somente após estudos aprofundados sobre os impactos econômicos e sociais da medida. Além disso, grande parte dos entrevistados defende que, caso a proposta avance, exista uma transição gradual para adaptação dos diferentes setores produtivos.

Enquanto o debate segue acelerado em Brasília, o tema continua dividindo opiniões entre trabalhadores, empresários e especialistas. Para entidades empresariais, a discussão sobre qualidade de vida e relações de trabalho é importante, mas precisa caminhar junto com responsabilidade econômica, preservação de empregos e sustentabilidade das empresas.