Jorginho Mello - Foto: Roberto Zacarias/Secom

“O desafio é não baixar a guarda e manter o nosso estado como o mais próspero e seguro do Brasil”

Jorginho Mello, candidato à reeleição para o governo de Santa Catarina

Jorginho Mello é candidato ao governo de Santa Catarina pelo PL. Atual governador, ele busca a reeleição tendo Adriano Silva (Novo) como candidato a vice.

Foi senador pelo estado entre 2019 e 2022, até renunciar para assumir o governo após sua vitória nas eleições de 2022. Atualmente, ele é o presidente estadual do Partido Liberal (PL).

Pelo Estado – Qual projeto o senhor considera que mudou efetivamente a vida dos catarinenses?

Jorginho Mello – É difícil escolher um só, porque nós trabalhamos muito em todas as áreas, mas o programa Universidade Gratuita é a realização de um sonho. Nós criamos as maiores políticas estaduais de acesso ao ensino superior do Brasil. Já beneficiamos mais de 67 mil estudantes, garantindo o pagamento integral da graduação deles. Mas o que mais me orgulha é ver a roda girar e o retorno disso para a nossa gente. Hoje, já temos mais de 8.700 profissionais formados no ensino superior aptos a prestarem suas contrapartidas do programa e devolverem esse investimento com trabalho. Isso muda de verdade a vida do jovem, que muitas vezes passa o dia inteiro no batente e não teria como pagar a faculdade, e melhora a vida do catarinense que passa a ser atendido por esses profissionais.

Pelo Estado – Qual é a principal diferença entre o Jorginho Mello que assumiu o governo em 2023 e o candidato que hoje pede mais quatro anos?

Jorginho Mello – O Jorginho Mello é o mesmo, um filho dessa terra com a mesma vontade de trabalhar, mas o Estado que eu governo hoje é completamente diferente daquela bagunça que nós recebemos. Quando assumi em 2023, nós encontramos todo o sistema de Saúde na UTI, com hospitais caindo aos pedaços. Nas finanças, tivemos que lançar o Pafisc para dar um freio na desgraceira e arrumar a casa. Hoje, eu me apresento com um Estado que saltou da nota B para A+ na avaliação da Secretaria do Tesouro Nacional. Hoje, eu chego aqui com 100% das ações do nosso Plano de Governo em andamento. Além disso, alcançamos o Selo Diamante no Programa Nacional de Transparência Pública. Ou seja, o Jorginho de hoje deixou a casa arrumada e os catarinenses têm agora um Governo do Estado com eficiência comprovada pra fazer os investimentos que o catarinense precisa.

Pelo Estado – O que o senhor reconhece que não conseguiu entregar no primeiro mandato e pretende concluir em um segundo?

Jorginho Mello – A gente avançou muito, mas eu sou exigente e sei que sempre dá pra fazer mais. Na infraestrutura, por exemplo, nós pegamos o Estado com um cenário assustador, onde pouco mais de 26% das rodovias estaduais estavam em boas ou ótimas condições. Com o Programa Estrada Boa, nós conseguimos chegar até aqui com 95% da nossa malha classificada como ótima ou boa. Mas a minha meta é encerrar 2026 sem nenhum trecho considerado ruim ou péssimo para trafegar. Na saúde, nós conseguimos praticamente zerar aquela fila de mais de 100 mil pessoas que aguardavam cirurgias desde antes de 2023, sendo que havia pacientes esperando há mais de 15 anos. Mas o desafio não acaba aí, e nosso compromisso de conclusão na terceira etapa do mutirão é garantir que todos os pacientes consigam a sua cirurgia com no máximo seis meses de espera. Além disso, as enchentes de 2023 nos mostraram que precisamos de um estado mais resiliente. Reformamos nossas barragens, equipamos as Defesas Civis municipais e estamos dragando mais de 400 km de rios, tirando do fundo o que nunca deveria ter ido parar lá: pneu, geladeira, a máquina encontra de tudo. Já licitamos a Barragem de Botuverá, um investimento de R$ 152,8 milhões para proteger o Vale do Itajaí. E seguimos avançando para construir a de Mirim Doce (R$ 106 milhões) e a de Petrolândia (R$ 56 milhões). Recursos já separados e reservados, mas o desafio agora é concluir todas as etapas burocráticas pra dar início a essas grandes obras de proteção.

Pelo Estado – Quais as suas prioridades para este possível próximo mandato?

Jorginho Mello – A nossa prioridade absoluta vai continuar sendo cuidar das pessoas. Mas agora, com as contas em dia, nós vamos focar na execução do programa Avança SC – Estratégia de Desenvolvimento Estadual 2035. Esse plano foi finalizado no fim de 2025 para colocar Santa Catarina na vanguarda do crescimento nacional e da gestão pública moderna e eficiente. Na educação, vamos ampliar os investimentos no ensino técnico profissionalizante, para ampliar as possibilidades de emprego e renda para os jovens. E na nossa malha viária, vamos reforçar o Estrada Boa Rural, que está dobrando de tamanho a malha municipal pavimentada do estado, um aumento de 126% ao passar de 2.000 km para 4.500 km asfaltados.

Pelo Estado – O senhor já declarou ser contrário à reeleição, mas agora disputa um segundo mandato. Como explica essa aparente contradição ao eleitor?

Jorginho Mello – Eu acredito em um mandato único, mas com mais tempo do que apenas 4 anos, para que o gestor possa se concentrar unicamente em deixar um legado para o próximo.

Pelo Estado – As filas para consultas, exames e cirurgias ainda são uma preocupação em Santa Catarina. Qual é a meta concreta para reduzir definitivamente essas filas?

Jorginho Mello – Nós arregaçamos as mangas e criamos a Tabela Catarinense, que paga até 12 vezes a mais que a tabela do SUS por procedimentos de alta complexidade. O nosso planejamento para as filas de cirurgia possui três etapas claras. A primeira já vencemos, que foi praticamente zerar os mais de 100 mil pacientes que aguardavam desde antes de 2023, tirando do sofrimento gente que esperava há mais de 15 anos. A etapa 2, que é onde estamos atuando pesado, foca em zerar a espera daqueles pacientes que entraram na fila enquanto o governo tirava esse atraso de mais de uma década. E a meta concreta final, a nossa etapa 3, é garantir que o limite de tempo para qualquer paciente aguardar por sua cirurgia seja de no máximo seis meses.

Desde o início da gestão, abrimos mais de 300 novos leitos de UTI (adulto, pediátrico e neonatal) em todas as regiões, o maior aumento do país. Nossa meta concreta é que o sistema ande sozinho e nunca mais precisemos de mutirões para zerar a fila de espera.

Pelo Estado – Santa Catarina tem mais de 500 mil estudantes na rede estadual. Qual será a principal prioridade para melhorar a qualidade do ensino nos próximos quatro anos?

Jorginho Mello – Agora em 2026 nós acabamos de alcançar o nosso melhor resultado dos últimos vinte anos, comprovado na divulgação do Ideb de 2025. Crescemos em todas as etapas da educação básica, garantindo o 3º lugar nacional nos anos iniciais e finais do ensino fundamental, mas ainda estamos no 7º lugar no ensino médio, que é onde estamos atuando mais forte agora para ficarmos no pódio também.

A nossa grande prioridade é continuar investindo pesado tanto no aprendizado quanto na infraestrutura escolar, porque uma coisa não caminha sem a outra. Com o programa Escola Boa, nós já estamos fazendo grandes melhorias estruturais, reformando e ampliando nossas unidades. Eu tenho um orgulho imenso de dizer que Santa Catarina se tornou o primeiro Estado do Brasil a ter ar-condicionado instalado em absolutamente todas as mais de 14 mil salas de aula das nossas 1.038 escolas estaduais. O futuro das novas gerações está nas salas de aula. A nossa grande prioridade é capacitar os jovens para os desafios do futuro através do ensino profissionalizante. Nós já mais do que quadruplicamos o número de alunos nessa modalidade com o Ensino Técnico Gratuito, passando de 12 mil para mais de 50 mil jovens que aprendem uma profissão dentro da própria escola estadual em que fazem o ensino médio ou nas unidades do SENAI, que fechamos uma parceria. E tem mais: enquanto outros abrem mão, nós dobramos a aposta na disciplina e no respeito com o Programa Estadual das Escolas Cívico-Militares. Saltamos de 9 para 31 unidades escolares, atendendo cerca de 21,6 mil estudantes, o que já reflete na melhoria do comportamento e do desempenho acadêmico das nossas crianças.

Para os próximos anos, a meta é manter esse ritmo de excelência focando no conforto e na segurança dos nossos estudantes e professores. Com escola bem estruturada, sala climatizada e professor valorizado, nós vamos continuar transformando a educação catarinense e preparando a nossa juventude para o mercado de trabalho.

Pelo Estado – Santa Catarina é conhecida pelos bons indicadores de segurança. Qual é hoje o maior desafio que ainda preocupa o governo?

Jorginho Mello – O desafio é não baixar a guarda e manter o nosso estado como o mais próspero e seguro do Brasil. Já éramos o Estado mais seguro do País, segundo o Ranking de Competitividade dos Estados. Nós também já estávamos na liderança no anuário Cidades Mais Seguras do Brasil, com Florianópolis no topo entre as Capitais e cidades como Jaraguá do Sul, Blumenau, Brusque e Palhoça entre as 30 mais seguras de todo o território nacional. E esse ano assumimos o topo também na análise do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Para manter isso, continuaremos investindo em tecnologia de ponta, viaturas e armamentos para as polícias. E não podemos esquecer que a nossa menor taxa de desemprego da história, de 2,2% em 2025, traz dignidade e contribui diretamente para a redução da violência. O nosso desafio agora é sermos também o Estado brasileiro com o menor número de feminicídios. Estamos atuando muito forte. Mesmo sendo o 6° do País, das 27 unidades da federação, com o menor número no ano passado, esse é um dado que não combina nem um pouco com Santa Catarina. Na segurança, é hoje o principal foco dos nossos esforços.

Pelo Estado – Como o Estado pretende resolver os gargalos logísticos que prejudicam o transporte de mercadorias e a competitividade das empresas catarinenses?

Jorginho Mello – A maior resposta que a gente tem dado é com trabalho duro através da maior ofensiva de recuperação viária já executada em Santa Catarina. Com o Programa Estrada Boa, estamos atualmente com 95% das rodovias estaduais como ótimas ou boas. Agora nós vamos resolver fazer um salto de crescimento direto nos municípios por meio do Estrada Boa Rural, que fortalecerá o escoamento da produção e o acesso a comunidades. A meta desse novo programa é aumentar em 126% a malha municipal pavimentada do estado, ampliando de cerca de 2.000 km para 4.500 km pavimentados. Somando os dois programas, são mais de R$ 7,5 bilhões em investimentos para trazer melhorias em mais de 5.500 quilômetros de rodovias estaduais e municipais.

Neste exato momento, empresas interessadas estão apresentando propostas para a licitação que vai iniciar a construção da VIAMAR, uma rodovia estadual paralela à BR-101 que servirá como alternativa, já que quem deveria resolver não fez nada. Temos separados R$ 2,2 bilhões para fazer o lote 4, que é o trecho mais crítico e conectará com uma nova rodovia triplicada as cidades de Navegantes e Luís Alves com as cidades de Brusque e Itajaí, criando uma opção ao trecho que já colapsou. O restante, completando o trajeto entre Joinville e a Grande Florianópolis, será realizado com uma Parceria Público-Privada. É um modelo de contratação que foi lenda por duas décadas em Santa Catarina e virou realidade na nossa gestão. Em três anos nós fizemos três.

Nossos aeroportos nunca tiveram tantas conexões, têm batido recordes todos os anos. E nossos portos seguem o mesmo caminho, é recorde em cima de recorde, com projetos de expansão em andamento. Santa Catarina vive um novo momento, que trabalhamos muito para concretizar e estamos com o planejamento pronto pra que esse crescimento, que sempre dobra o do Brasil, continue ainda mais acelerado pelas próximas décadas.

Pelo Estado – Como preparar Santa Catarina para os impactos da inteligência artificial e da automação no mercado de trabalho?

Jorginho Mello – Nós já estamos preparando o nosso povo na prática, porque o catarinense é inovador por natureza e o Estado tem a obrigação de dar as ferramentas para a nossa gente sair na frente. Para enfrentar o desafio da inteligência artificial e da automação, nós lançamos o SCTec, que é simplesmente o maior programa de qualificação tecnológica já realizado na história de Santa Catarina. Com um investimento de R$ 23 milhões, nós já ultrapassamos a marca de 106 mil inscrições e levamos o programa para 100% das cidades do nosso estado. Admito que eu pessoalmente não domino 100% o tema, até por isso que nós criamos uma secretaria pra ser essa referência, a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação. O último relatório que recebi trazia que no curso “IA na Prática” nós temos mais de 45 mil catarinenses aprendendo a usar a inteligência artificial no dia a dia, além de outros milhares focados em programação no Carreira Tech e no IA para Devs.

Mas não basta só formar, precisamos de um ambiente forte para os negócios de tecnologia – essa parte de empreendedorismo já é mais minha praia. Por isso, nós expandimos a nossa Rede Catarinense de Centros de Inovação de 15 para 24 unidades, entregando novos centros em Itajaí, Tubarão, Criciúma e Rio do Sul. Além disso, injetamos através da Fapesc R$ 165 milhões para modernizar os laboratórios das nossas universidades e cerca de R$ 18 milhões para estruturar os nossos centros de inovação.

E para garantir que o micro e pequeno empreendedor não fique para trás e consiga modernizar o seu negócio, nós criamos o Pronampe Inovação, que já liberou mais de R$ 18,5 milhões em crédito para essas pequenas empresas e startups. É assim que a gente prepara Santa Catarina para o amanhã: com qualificação de ponta, crédito acessível e tecnologia espalhada por todas as regiões.

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