
Quatro pessoas morreram, entre elas uma criança de 8 anos, enquanto dois sobreviventes sofreram amputações; homenagens e uma corrente de solidariedade unem comunidades do Brasil e do Paraguai.
A tragédia registrada na madrugada de quarta-feira (16), na SC-492, entre os municípios de Maravilha e São Miguel da Boa Vista, no Extremo-Oeste de Santa Catarina, continua revelando a dimensão da dor enfrentada pelas famílias das vítimas e pelos sobreviventes. O ônibus, com placas do Paraguai, transportava uma delegação de uma academia de dança que retornava de uma competição realizada em Gramado (RS), quando saiu da pista em uma curva e despencou em uma ribanceira, deixando um cenário de destruição.
O acidente deixou quatro vítimas fatais: Nelly Peralta de Rojas, de 75 anos; Blanca Chamorro Resquín, de 48 anos; Guadalupe Garcete Resquín, de apenas 8 anos; e Leticia Elizabeth Fernández Cristaldo, de 38 anos. As mortes causaram grande comoção no Paraguai, especialmente porque três das vítimas pertenciam à mesma família. A perda da pequena Guadalupe, integrante da delegação de bailarinos, emocionou a comunidade artística e mobilizou inúmeras manifestações de solidariedade nas redes sociais.
Enquanto familiares se despedem das vítimas, dezenas de sobreviventes enfrentam uma longa jornada de recuperação. Entre os casos mais delicados está o de uma menina de nove anos, transferida em estado gravíssimo para o Hospital Regional do Oeste (HRO), em Chapecó, após apresentar agravamento do quadro clínico em decorrência de um pneumotórax. A criança precisou ser encaminhada para uma cirurgia de emergência.
Outra menina, de 10 anos, sofreu amputação da perna esquerda devido à gravidade dos ferimentos provocados pelo acidente e permanece internada em estado estável. Já uma mulher que segue internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) teve um dos braços amputado e continua em estado grave, embora tenha apresentado discreta evolução clínica nas últimas horas.
Outros passageiros permanecem hospitalizados em observação médica, enquanto parte dos sobreviventes já recebeu alta e iniciou o retorno ao Paraguai. Entre eles está uma menina de sete anos, que havia sido transferida de helicóptero para Chapecó após sofrer uma fratura complexa na região pélvica e apresentou evolução satisfatória durante o tratamento.
A tragédia ultrapassou as fronteiras brasileiras e provocou uma forte onda de comoção no Paraguai. A Academia de Danzas Bethania, da qual faziam parte diversas vítimas e sobreviventes, publicou uma emocionante homenagem em suas redes sociais, lamentando as perdas e agradecendo o apoio recebido de autoridades, instituições, academias de dança e centenas de pessoas que enviaram mensagens de solidariedade e orações.
Os corpos das vítimas foram levados de volta ao Paraguai para as cerimônias de despedida, acompanhados por familiares e integrantes da comunidade da dança. Nas redes sociais, amigos e colegas prestaram homenagens emocionadas, lembrando o talento da pequena Guadalupe e desejando força aos familiares e aos sobreviventes, que agora enfrentam não apenas a recuperação física, mas também as profundas marcas emocionais deixadas pela tragédia.
As circunstâncias do acidente seguem sendo investigadas pela Polícia Civil e pela Polícia Científica de Santa Catarina, que trabalham para esclarecer as causas da saída de pista do coletivo que transportava 67 ocupantes. Enquanto as investigações avançam, a tragédia permanece como uma das mais marcantes registradas neste ano nas rodovias catarinenses, unindo brasileiros e paraguaios em uma corrente de solidariedade diante da dor das famílias atingidas.
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