Operação da PF e Receita Federal investiga suposto esquema de corrupção na Alfândega de Itajaí. Ex-chefe do órgão é suspeito de receber milhões para favorecer empresas do comércio exterior. - Foto: Polícia Federal/Divulgação

Auditor-fiscal é investigado por supostamente favorecer empresas do comércio exterior em troca de vantagens indevidas; prejuízo aos cofres públicos pode superar R$ 10 milhões

Uma operação conjunta da Polícia Federal e da Receita Federal colocou a região portuária de Itajaí novamente no centro das atenções nesta terça-feira (2). Batizada de Operação Benaia, a ação investiga um suposto esquema de corrupção que teria atuado dentro da estrutura aduaneira do município e que, segundo as autoridades, pode ter provocado prejuízos superiores a R$ 10 milhões aos cofres públicos.

O principal alvo da investigação é um auditor-fiscal da Receita Federal que exerceu função de chefia na Alfândega do Porto de Itajaí entre os anos de 2022 e 2025. Conforme apontam as apurações, ele teria utilizado sua posição para facilitar procedimentos alfandegários e beneficiar empresas e operadores ligados ao comércio exterior em troca de vantagens indevidas.

As investigações tiveram início após levantamentos realizados pela Corregedoria da Receita Federal. Durante a análise, foram identificados indícios de incompatibilidade entre o patrimônio e o padrão de vida do servidor em relação à remuneração recebida, além de movimentações financeiras consideradas atípicas.

Segundo a Polícia Federal, o suposto esquema envolvia despachantes aduaneiros, consultorias especializadas, empresas importadoras e operadores logísticos. Em contrapartida aos possíveis favorecimentos, teriam ocorrido pagamentos em espécie, transferências bancárias e até a quitação de despesas pessoais, incluindo aluguel, contas de cartão de crédito e aquisição de bens.

Os investigadores também apuram a utilização de empresas registradas em nome de familiares para ocultar a origem dos recursos e dar aparência de legalidade aos valores movimentados. O volume de vantagens indevidas sob suspeita ultrapassaria R$ 5 milhões.

Ao todo, a operação cumpriu 19 mandados de busca e apreensão em endereços localizados em Santa Catarina e São Paulo. Além disso, foi determinado o afastamento cautelar do auditor-fiscal de suas funções públicas. Cerca de 30 servidores da Receita Federal participaram da ação conjunta.

Em nota oficial, a Receita Federal destacou que a operação reforça o compromisso do órgão com a integridade institucional, o combate à corrupção e a garantia de igualdade de condições para todos os participantes do comércio exterior brasileiro.

As investigações continuam e buscam esclarecer a extensão do suposto esquema, identificar eventuais beneficiários e apurar a participação de outras pessoas ou empresas que possam ter se envolvido nas irregularidades investigadas.