Foto: Divulgação/CMB

Operação policial que apura “rachadinha” e corrupção leva ao registro de pedido de perda de mandato na Câmara

O vereador Almir Vieira (PP), de Blumenau, se tornou o centro de uma investigação da Polícia Civil que apura supostas práticas de “rachadinha”, corrupção e lavagem de dinheiro, gerando repercussão política e um pedido de cassação de mandato na Câmara Municipal. A operação, denominada “Happy Nation”, foi realizada na manhã de terça-feira (3) e incluiu mandados de busca e apreensão no gabinete do parlamentar e em endereços relacionados ao caso em Blumenau e outras cidades do estado.

Segundo a investigação, a prática de “rachadinha” consiste em exigir que servidores comissionados devolvam parte de seus vencimentos ao agente político que os indicou, configurando desvio de recursos públicos. A ação mobilizou dezenas de policiais civis e se estende a suspeitas de corrupção ativa e passiva, além de lavagem de capitais.

Durante a operação, o vereador chegou a ser preso em flagrante após flagra com quantias em dinheiro e objetos com potencial conexão às apurações, mas foi liberado posteriormente após audiência de custódia, em que o Ministério Público manifestou-se favoravelmente à liberdade provisória.

O caso desencadeou forte reação política: na sessão da Câmara nesta quinta-feira (5), foi protocolado um pedido formal de cassação do mandato de Vieira pelo ex-promotor de Justiça Odair Tramontin. A solicitação, embasada no Decreto-Lei nº 201/1967, argumenta que a investigação e a prisão do vereador enfraquecem a imagem da Casa Legislativa e abalam a confiança da população nas instituições públicas.

O pedido de cassação será analisado inicialmente pela Procuradoria da Câmara, seguido de votação sobre seu recebimento pelos vereadores. Caso seja aceito, o processo pode seguir para a Comissão de Ética, que conduzirá a investigação interna com direito à ampla defesa.

A defesa de Almir Vieira emitiu nota à imprensa afirmando que o pedido de perda de mandato “carece de fundamento jurídico e fático” e ressaltou que a investigação ainda está em curso, sem qualquer condenação ou prova definitiva que justifique uma medida extrema como a cassação antes do devido processo legal.