Serão 12 dias corridos de paralisação das operações
A Volkswagen anunciou nesta sexta-feira (19) a suspensão da produção de todas as suas unidades no Brasil, localizadas nos estados de São Paulo e do Paraná. Serão 12 dias corridos de paralisação, de 24 de março até 4 de abril, em função da gravidade da pandemia.
As fábricas ficam localizadas em São Bernardo do Campo, São Carlos e Taubaté (em SP) e em São José dos Pinhais (no PR).
“Com o agravamento do número de casos da pandemia e o aumento da taxa de ocupação dos leitos de UTI nos estados brasileiros, a empresa adota esta medida a fim de preservar a saúde de seus empregados e familiares. Nas fábricas, só serão mantidas atividades essenciais”, afirmou a montadora em nota.
Segundo a Volkswagen, os empregados da área administrativa atuarão em trabalho remoto. “A medida foi tomada em conjunto com os sindicatos locais”, diz também a nota.
Milad Kalume Neto, diretor de novos negócios, da consultoria automotiva Jato Dynamics, avalia que no contexto que a Volkswagen se encontra aparentemente não haverá demissões em massa. “Mas sempre há uma preocupação. A produção está parada, e se essa suspensão se estender? Não sabemos a extensão do problema, por enquanto. Precisaremos acompanhar os próximos passos da companhia nesses 12 dias parada”, diz.
As dificuldades de abastecimento, que já envolviam insumos como aço, peças plásticas e pneus, foram agravadas pela escassez global de componentes eletrônicos, levando a mais atrasos de produção e até mesmo paradas completas de linhas.
“A falta de peças para eletrônicos não é exclusividade do Brasil, porém o país não é prioridade perto de outros mercados no mundo. Então, essa falta de componentes eletrônicos e semicondutores pode continuar por mais um período”, avalia Neto.
Neto lembra, ainda, que a expectativa para 2021 era de uma retomada mais sólida do setor, com a economia voltando a girar e a aplicação das vacinas. “Mas o que estamos vendo é demora na vacinação, e fabricantes parando. A situação ainda é de muito risco e há uma certa insegurança”, diz.
Em janeiro, a produção de veículos caiu 4,6% na comparação com dezembro do ano passado, segundo balanço mais recente Anfavea, entidade que representa as montadoras instaladas no Brasil.










