Cadela resgatada após ser enterrada viva se recupera e caso avança na Justiça. - Foto: Divulgação/Secom

Grávida e debilitada, Bonnie foi resgatada após ser enterrada viva e hoje simboliza a luta contra os maus-tratos no país

O caso da cadela Bonnie, em Joinville, ganhou novos desdobramentos judiciais, mas continua marcado por uma sequência de fatos que chocaram moradores e mobilizaram a comunidade. O Ministério Público de Santa Catarina denunciou o tutor do animal por maus-tratos, apontando abandono, negligência e possível participação em um dos episódios mais cruéis registrados recentemente na cidade.

Tudo começou no início de fevereiro, quando moradores de um condomínio no bairro Jardim Paraíso passaram a perceber que a cadela, uma vira-lata de porte médio, apresentava sinais visíveis de sofrimento. Bonnie estava grávida, debilitada e já não conseguia se locomover com facilidade. Segundo relatos, ela permanecia prostrada, com dificuldades para se alimentar, demonstrando apatia e sinais claros de dor.

Mesmo diante desse cenário, nenhuma assistência foi providenciada. De acordo com a investigação, o tutor não buscou atendimento veterinário, nem acionou serviços públicos ou organizações de proteção animal. A omissão prolongada agravou o estado de saúde da cadela, que permaneceu exposta ao sofrimento.

O episódio mais chocante veio à tona na sequência: Bonnie foi encontrada enterrada viva em uma área do condomínio. A descoberta ocorreu após a mobilização de moradores, que desconfiaram da ausência do animal e passaram a procurar por ela. Ao ser localizada, a cadela ainda apresentava sinais vitais, mesmo soterrada, em um estado considerado gravíssimo.

O resgate foi marcado por tensão e indignação. Testemunhas relataram o desespero ao retirar o animal da terra, ainda com vida, mas extremamente debilitado. A cena gerou comoção imediata e repercussão nas redes sociais, além de acionar as autoridades.

Para o Ministério Público, há indícios de que o sofrimento da cadela não foi apenas resultado de abandono, mas de uma sequência de condutas que contribuíram diretamente para o agravamento do quadro. A promotoria destaca que o tutor tinha responsabilidade legal de garantir proteção e cuidados, o que não foi cumprido.

A denúncia se baseia em provas reunidas ao longo da investigação, incluindo laudos veterinários, depoimentos de testemunhas e registros policiais. Diante da gravidade, o órgão optou por não oferecer acordo, entendendo que o caso envolve violência contra um ser senciente.

Tutor de cadela enterrada viva é denunciado pelo MPSC
Denúncia levou equipe ao local e salvou a cadelinha – Foto: Divulgação/Secom

Além da responsabilização criminal, o Ministério Público solicitou a fixação de indenização mínima de R$ 10 mil e a perda definitiva da guarda de Bonnie, impedindo qualquer possibilidade de retorno ao tutor.

Paralelamente, o ato de enterramento do animal segue sendo investigado em procedimento separado, com a apuração da possível participação de outras pessoas.

Apesar da brutalidade do caso, a história também traz um capítulo de resistência. Após ser resgatada, Bonnie recebeu atendimento emergencial intensivo e conseguiu sobreviver. Em março, já em recuperação, deu à luz cinco filhotes. Três deles não resistiram, reflexo das condições enfrentadas durante a gestação.

Atualmente, Bonnie vive sob cuidados de uma nova família e segue sendo acompanhada por profissionais do Centro de Bem-Estar Animal. Dois filhotes permanecem vivos e em estado estável.

O caso, que começou com sofrimento extremo, agora segue na Justiça, enquanto a cadela se recupera — símbolo de sobrevivência e também de um alerta urgente contra os maus-tratos a animais.