Trump oficializa tarifa de 50% sobre produtos brasileiros em ordem executiva válida a partir de agosto – Foto: Reprodução/Unrestricted Pool

Ordem executiva justifica imposto por ameaças à segurança dos EUA e adia impacto econômico em cinco dias

Nesta quarta-feira (30), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que impõe uma tarifa de 50% sobre produtos importados do Brasil. A medida, inicialmente prevista para entrar em vigor em 1º de agosto, foi adiada para o dia 6 do mesmo mês.

Apesar de isenções estratégicas — como nozes-do-brasil e suco de laranja — a decisão impacta diretamente setores importantes da economia nacional. Segundo o governo norte-americano, a medida responde a ações consideradas “extraordinárias” e “ameaças incomuns” à economia, à política externa e à liberdade de expressão nos EUA, com menção específica aos processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e ao bloqueio da plataforma X (antigo Twitter).

Trump alega que empresas brasileiras estariam sendo subsidiadas de forma desleal, prejudicando a competitividade de companhias americanas. Embora o decreto tenha sido precedido por comunicados a diversos países, apenas o Brasil recebeu a alíquota máxima de 50%, enquanto outras nações foram tarifadas em níveis menores.

A Casa Branca enfatizou que a medida visa proteger os interesses nacionais frente a interferências políticas externas. Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a decisão como um ato de ingerência e anunciou que o Brasil aplicará medidas de retaliação com base na Lei de Reciprocidade Comercial.

Analistas apontam que não há um respaldo econômico claro para a tarifa, já que os EUA mantêm superávit comercial com o Brasil. Produtos como café, carne bovina e suco de laranja podem estar entre os mais afetados. No mercado americano, produtores já preveem aumento de preços e retração na demanda.

Aliados de Bolsonaro e apoiadores de Trump veem na decisão um gesto de solidariedade política e crítica velada à condução do governo brasileiro, destacando o peso da geopolítica nas relações comerciais.