Limites quase atingidos e embate judicial evidenciam tensão entre tradição pesqueira e sustentabilidade ambiental
A temporada da pesca da tainha em Santa Catarina, iniciada em 1º de maio, encerra nesta quinta-feira (31) com 1.123 toneladas capturadas na modalidade de emalhe anilhado — cerca de 90 % da cota autorizada pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA).
Na modalidade de arrasto de praia, foram capturados 1.041 toneladas, em uma cota inicialmente limitada a 1.100 toneladas — limite que foi ampliado para 1.200 toneladas durante a safra para evitar a paralisação da pesca artesanal.
A pesca industrial por cerco/traineira, que tem limite total de 450 toneladas, alcançou cerca de 92% da cota, com 412 toneladas capturadas, distribuídas entre 10 embarcações autorizadas — oito delas com base em Itajaí e Navegantes.
Segundo especialistas e representantes do setor pesqueiro, a temporada foi conduzida de forma ordenada e dentro dos limites regulatórios, sem ultrapassar os limites estabelecidos, refletindo compromisso com a sustentabilidade dos estoques.
No entanto, a portaria que limita só pescadores catarinenses gerou críticas do governo estadual, que ingressou com ação na Justiça Federal contestando a medida como discriminatória e desproporcional, após o STF refutar sua competência para julgar o caso.
A pesca da tainha, reconhecida como Patrimônio Cultural de SC, movimenta comunidades litorâneas e simboliza tradição durante o inverno. Organizações defendem continuidade com mais diálogo e critérios técnicos.
O Painel de Monitoramento do MPA continua ativo e divulgou os números da temporada em tempo real. A expectativa agora é que o encerramento oficial confirme o volume capturado e defina a análise de impacto para a próxima temporada.










