Deputada Geovania de Sá - Foto: Camara dos Deputados/Divulgação

“Resolver o problema das famílias da APA da Baleia Franca é minha prioridade”

Reeleita com 74.603 votos, Geovania de Sá (Republicanos) avalia que a eleição de 2026 foi a mais difícil de sua trajetória. Nesta entrevista ao Pelo Estado, a parlamentar analisa o peso da identificação partidária na escolha dos catarinenses, destaca o reconhecimento de sua atuação em defesa das famílias da APA da Baleia Franca e apresenta as prioridades do próximo mandato. Natural de Criciúma, também fala sobre o sonho de administrar a cidade e admite estar à disposição para uma eventual candidatura à prefeitura.

Pelo Estado – A senhora considera esta a eleição mais difícil da sua trajetória? O que percebeu de diferente durante a campanha?

Geovania de Sá – Foi a eleição mais difícil e também uma das que mais me ensinaram. Sentimos nas ruas, ao longo da campanha, que havia algo diferente. Melhorei muito minha presença nas redes sociais, percorri os municípios, estive nas portas de fábricas, visitei comércios e conversei com as pessoas. Houve muita dedicação, mas estava nítido que o ambiente não era o mesmo das últimas eleições.

O eleitor queria conhecer nosso trabalho, mas trazia uma preocupação muito forte com o momento político do Brasil. Nas conversas, percebíamos que a identificação política teria um peso importante na decisão do voto. Não era uma avaliação apenas sobre o que cada deputado havia feito pelo seu município.

Recebo essa vitória com gratidão e com muitos aprendizados sobre a importância de estar próxima das pessoas e de comunicar cada vez melhor nosso trabalho.

Pelo Estado – Na sua avaliação, o que motivou o eleitor catarinense nesta eleição?

Geovania de Sá – Acredito que vários fatores influenciaram o resultado. Mas a minha leitura é que muitas pessoas levaram para as urnas sua indignação com o momento que o Brasil está passando. Conversando com outros deputados nesta semana, em Brasília, ouvi avaliações muito parecidas. Foi um movimento nacional.

Basta observar a força eleitoral do PL. Uma parcela da população se identificou com o partido e com o número 22 como expressão do posicionamento que desejava ver representado. Essa escolha influenciou também o voto. Mas ficou evidente que a identificação partidária e o posicionamento político tiveram um peso muito expressivo nesta disputa.

Pelo Estado – Qual foi o seu posicionamento na eleição presidencial e nessas pautas?

Geovania de Sá – Eu sou e sempre fui de direita. Fui da base do presidente Jair Bolsonaro e faço oposição ao governo Lula. Nesta eleição, meus materiais apresentaram claramente meu apoio a Jorginho Mello e a Flávio Bolsonaro. Não houve dúvida sobre o meu posicionamento.

Mesmo assim, para uma parcela dos eleitores, era preciso ser do PL, ter o número 22. Percebemos isso durante a campanha. A pessoa podia reconhecer nosso trabalho e saber o que defendemos, mas sua decisão estava muito ligada ao partido.

Pelo Estado – Em meio a esse cenário, a defesa das famílias da APA da Baleia Franca se traduziu em reconhecimento nas urnas?

Geovania de Sá – Sim, foi uma pauta decisiva. Fui a candidata a deputada federal mais votada em Jaguaruna e Sangão, por exemplo. Na urna de Campo Bom, recebi 49% dos votos para deputada federal. Vejo esse resultado como um reconhecimento muito claro do trabalho que fizemos em defesa dessas famílias. E em Irineópolis, Ibicaré, Treviso, Romelândia e Nova Veneza fui a mais votada também.

Também tivemos votações expressivas em localidades onde minha presença eleitoral era menor nas eleições anteriores. A pauta da APA aproximou o mandato de pessoas preocupadas com suas casas, seus terrenos e com a possibilidade de continuar vivendo nas comunidades onde construíram suas histórias.

Essa votação me deixa muito agradecida, mas aumenta minha responsabilidade. O eleitor reconheceu o trabalho e depositou confiança na sua continuidade. Agora, precisamos corresponder com ainda mais dedicação. A campanha acabou, mas essa luta continua.

Pelo Estado – Quais serão as prioridades do próximo mandato?

Geovania de Sá – Minha primeira prioridade é avançar na solução dos problemas enfrentados pelas famílias da APA da Baleia Franca. Precisamos de uma vez por todas resolver esse problema, garantindo segurança jurídica para essas famílias. A proteção ambiental precisa caminhar junto com o respeito às pessoas que vivem nessas comunidades.

Também vou continuar lutando pela aposentadoria especial e pelas demandas das esteticistas. São pautas que acompanho e que exigem diálogo, articulação e continuidade para que possamos avançar.

A defesa dos valores cristãos, da família, da vida e da liberdade religiosa continuará orientando meu mandato. Vou manter meu posicionamento de direita e minha oposição ao avanço das pautas da esquerda com as quais não concordo.

Pelo Estado – O Sul catarinense terá uma representação expressiva na Câmara dos Deputados. Como transformar essa força em resultados para a região?

Geovania de Sá – Precisamos reunir forças em torno das demandas que são comuns à região. Temos diferenças, mas temos uma responsabilidade com as pessoas que representamos. Essa presença do Sul na Câmara precisa se transformar em melhorias concretas.

Há questões importantes de infraestrutura e desenvolvimento que exigem uma atuação conjunta, como o Morro dos Cavalos e a própria APA da Baleia Franca. Precisamos dialogar, estabelecer prioridades e trabalhar para que essas soluções avancem.

Pelo Estado – A senhora já pensa nas próximas eleições? Uma candidatura à Prefeitura de Criciúma está nos seus planos?

Geovania de Sá – Ser prefeita de Criciúma é um sonho que tenho. É a cidade onde nasci, cresci e construí minha trajetória. Tenho uma ligação muito forte com Criciúma e vontade de contribuir ainda mais diretamente com o seu futuro.

Tenho respeito pelo prefeito Vaguinho e pelo Clésio Salvaro. Nesta eleição, eles tiveram o candidato a deputado federal deles, e eu, por outro lado, fiz minha campanha, apresentando meu trabalho e buscando a confiança das pessoas. Essas escolhas fazem parte da política.

Neste momento, tenho um mandato para honrar e compromissos que precisam ter continuidade. Uma candidatura à prefeitura depende de diálogo, de construção política e do momento adequado.

Mas, se o governador Jorginho Mello me chamar para ser candidata, estou à disposição. É um sonho que faz parte da minha vida e uma possibilidade que será tratada com seriedade e responsabilidade.

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Por Celina Sales para APJ/SC e ADI/SC
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