Nicolás Maduro permanece detido em Nova York enquanto aguarda nova audiência marcada para março — Foto: Eduardo Muñoz/REUTERS

Ex-presidente nega acusações e Venezuela vive transição liderada por presidente interina

A Justiça dos Estados Unidos definiu os próximos passos no processo que envolve o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, atualmente detido em Nova York. Ele permanecerá preso no Centro de Detenção Metropolitano, no bairro do Brooklyn, pelos próximos meses até a realização de uma nova audiência em março.

Maduro foi levado aos EUA após uma operação militar que culminou com sua captura em Caracas e sua extradição para responder a acusações relacionadas a narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e posse de armamento pesado. Em sua primeira audiência, ele negou as acusações e se declarou inocente perante o juiz responsável pelo caso.

A próxima sessão, agendada para o dia 17 de março, funcionará como etapa preliminar para ouvir as partes, analisar provas e possivelmente estabelecer um calendário para fases futuras do processo, embora a data do julgamento ainda não esteja definida.

Até lá, a defesa liderada por Barry Joel Pollack poderá apresentar pedidos e recursos à Justiça norte-americana, incluindo solicitações que visem reavaliar a situação de prisão preventiva ou outras estratégias legais.

Maduro e sua esposa, Cilia Flores, também detida, têm direito a visitas consignadas pelo consulado da Venezuela, um mecanismo que garante assistência consular durante o desenrolar do processo.

Enquanto isso, na Venezuela, as repercussões políticas da captura seguem se desdobrando com impacto no comando do país e nas relações com os Estados Unidos.

Após a remoção de Maduro do poder, a vice-presidente Delcy Rodríguez foi oficialmente empossada como presidente interina pelo Parlamento e reconhecida pela Suprema Corte venezuelana como chefe de Estado provisória.

Rodríguez tem emitido sinais contraditórios entre condenar a operação americana como agressão e buscar algum tipo de cooperação com Washington para estabilidade política e econômica.

O cenário político interno permanece tenso, com disputas pelo reconhecimento internacional da liderança venezuelana e pressões para que novo pleito eleitoral seja convocado o quanto antes.

Especialistas apontam que, em meio à crise jurídica e institucional, o país vive um momento de incerteza que influenciará não só decisões judiciais, mas também acordos diplomáticos futuros.