
Companheiro da vítima foi indiciado por auxílio ao suicídio, violência psicológica e posse ilegal de arma; defesa contesta e pede nova investigação
A morte da médica veterinária Laura da Silva Ney, de 30 anos, registrada em setembro de 2025, em Navegantes, voltou a ganhar repercussão após a conclusão do inquérito conduzido pela Polícia Civil de Santa Catarina. O relatório final apontou novos elementos sobre as circunstâncias da morte da jovem e resultou no indiciamento do companheiro da vítima por três crimes: auxílio ao suicídio qualificado, violência psicológica contra a mulher e posse ilegal de arma de fogo.
O caso ocorreu na noite de 27 de setembro de 2025, quando equipes de resgate foram acionadas após relatos de disparos de arma de fogo em um apartamento localizado no Centro da cidade. Ao chegarem ao local, socorristas encontraram a veterinária já sem vida dentro da residência. Vizinhos haviam relatado ter ouvido tiros pouco antes da chegada das equipes de emergência.
Inicialmente, a ocorrência chegou a ser tratada como possível suicídio. No entanto, diante das circunstâncias do caso, a Polícia Civil abriu investigação para esclarecer a dinâmica dos fatos. Ao longo de vários meses de apuração, investigadores ouviram dez testemunhas, analisaram imagens, documentos recolhidos durante diligências e avaliaram 16 laudos periciais, incluindo uma reprodução simulada da ocorrência para compreender a sequência dos acontecimentos.
Com base no conjunto de provas reunidas, os investigadores concluíram que, embora a morte tenha sido classificada como suicídio, existiriam indícios de que o companheiro teria contribuído para o desfecho trágico por meio de violência psicológica e outros fatores que teriam levado à situação extrema. Por isso, ele foi formalmente indiciado por auxílio ao suicídio qualificado.
Durante as primeiras fases da investigação, o homem chegou a ser preso temporariamente, já que havia suspeita inicial de feminicídio. Com o avanço das análises periciais e depoimentos, a hipótese foi reavaliada e o caso passou a ser tratado sob outra tipificação penal. O inquérito agora foi encaminhado ao Poder Judiciário para análise e eventual abertura de processo criminal.
Defesa pede nova investigação
A defesa do investigado contestou as conclusões do relatório policial. Em nota, o advogado Fabiano Oldoni afirmou que foi solicitado ao Ministério Público a abertura de uma investigação complementar.
Segundo o advogado, o relatório final confirmaria que a morte ocorreu por suicídio, tese que já vinha sendo defendida desde o início do caso. Ainda de acordo com a defesa, o indiciamento pelos demais crimes seria precipitado e não estaria amparado por provas suficientes.
O pedido encaminhado ao Ministério Público inclui a solicitação de um novo interrogatório do investigado, que teria sido ouvido apenas no início da investigação, além da oitiva de testemunhas indicadas pela defesa.
Quem era Laura
Natural de São José de Ubá, Laura da Silva Ney construiu uma trajetória acadêmica e profissional respeitada na área da medicina veterinária. Ela se formou pela Universidade Iguaçu e concluiu mestrado em Patologia Clínica pela Universidade Estadual do Norte Fluminense.
No final de 2024, a jovem decidiu se mudar para Santa Catarina, onde passou a atuar como patologista clínica veterinária na região de Navegantes. Colegas de profissão e entidades da área lamentaram a morte da profissional, destacando sua dedicação e o futuro promissor interrompido de forma precoce.
O caso gerou grande comoção entre familiares, amigos e colegas de trabalho. A investigação, que mobilizou diversas perícias técnicas, busca esclarecer completamente as circunstâncias da morte e eventuais responsabilidades.
Veterinária é encontrada morta em Navegantes; investigação busca esclarecer causas









