“Enquanto Santa Catarina avança, a cidade paga a conta da má gestão”
No segundo mandato na Câmara de São José, Rodrigo Andrade (PL) se tornou uma das vozes mais duras contra a gestão do prefeito Orvino Coelho de Ávila (PSD). Advogado e empresário, foi secretário de Projetos Especiais de São José a partir de 2014 e chegou à Câmara como suplente em 2019. Eleito em 2020 pelo PSD, com 1.576 votos, trocou de partido em 2024 e foi reeleito pelo PL com 2.347 votos, quase 50% a mais. É um dos dez vereadores que assinaram o pedido de CPI da Taxa do Lixo. Nesta entrevista a Pelo Estado, logo depois do segundo turno, fala sobre segurança, população de rua e gasto público, e diz por que a direita precisa chegar a 2028 com projeto para São José.
Pelo Estado – Santa Catarina deu ao PL vitórias amplas em outubro, mas Lula foi reeleito. Como o senhor lê esse resultado a partir de São José?
Rodrigo – São José deu 61,71% ao Flávio no segundo turno, e o Jorginho foi reeleito ainda no primeiro, com 68,98%. O catarinense deixou claro o que pensa. Só que o resultado nacional muda o nosso papel. Com mais quatro anos de PT em Brasília, a prefeitura vira a primeira trincheira. É ali que se decide se a escola funciona, se a rua é segura e quanto o cidadão paga de imposto. São José é uma cidade de direita que vem sendo governada sem rumo.
Pelo Estado – Segurança é uma bandeira antiga do senhor. Onde São José está hoje?
Rodrigo – Santa Catarina é referência nacional em segurança, e isso é mérito do Estado e das polícias. O problema é que São José não acompanha. No último Atlas da Violência, com dados de 2024, 11 das 14 maiores cidades catarinenses ficaram abaixo de 10 homicídios por 100 mil habitantes. São José ficou fora desse grupo, ao lado de Itajaí e Chapecó. Florianópolis teve 9,7. Palhoça, aqui do lado, 6,9. Em 2023, uma pesquisa com moradores apresentada na Câmara deu nota 2,53 para a segurança da cidade, e o Roçado ficou com nota 1. O município tem Guarda Municipal, tem orçamento e tem responsabilidade. Não dá para empurrar tudo para o Estado.
Pelo Estado – E a população em situação de rua?
Rodrigo – Entre 2021 e 2023, o número de pessoas em situação de rua no Cadastro Único quase dobrou, de 185 para 338. Hoje a própria prefeitura fala em cerca de 450. Quem passa pelo Kobrasol e por Campinas vê isso todo dia. É um problema social, de saúde e de segurança ao mesmo tempo, e a resposta não pode ser campanha de agasalho no inverno. Precisa de acolhimento com regra, tratamento para quem tem dependência, apoio para quem quer voltar à cidade de origem e fiscalização. Deixar como está não é humano com ninguém, nem com quem está na rua, nem com o morador e o comerciante.
Pelo Estado – A taxa do lixo virou o assunto da cidade. O que aconteceu?
Rodrigo – Em dezembro de 2025 a prefeitura mudou a fórmula da tarifa por decreto. Teve morador com aumento de até 90%, e cerca de 32 mil boletos precisaram ser cancelados porque saíram com erro de cálculo. Hoje o caso está no Ministério Público e no Tribunal de Contas. Eu assinei o pedido de CPI junto com outros nove vereadores, a maioria da Câmara. A presidência tentou mudar o formato da comissão, nós fomos à Justiça e a votação ficou suspensa. Até agora a CPI não saiu do papel. Se a conta está certa, que a prefeitura mostre a conta.
Pelo Estado – E o salário do prefeito?
Rodrigo – Em 2024, o prefeito de São José recebia R$ 36,8 mil brutos, o quarto maior salário entre as dez maiores cidades do Estado. Em Palhoça, que fica do lado, o prefeito recebia R$ 16,3 mil. Ninguém está dizendo que prefeito tem que ganhar mal. A comparação mostra prioridade. Quem cobra mais do contribuinte precisa explicar para onde vai o dinheiro.
Pelo Estado – O que a direita precisa fazer para governar São José em 2028?
Rodrigo – Ter projeto e ter prova. Não basta ser de direita no discurso e deixar a cidade como está. Fiscalizar com documento é o currículo de quem quer governar. A CPI do Lixo, o Raio-X que estamos fazendo da prefeitura e a cobrança na segurança mostram que dá para fazer diferente. São José merece uma gestão que entregue o que Santa Catarina já entrega.
Pelo Estado – O senhor aceitaria ser candidato a prefeito de São José em 2028?
Rodrigo – Se for preciso para mudar o rumo da cidade, sim, estou à disposição. Não é projeto pessoal. São José tem tudo para ser exemplo em Santa Catarina e hoje está ficando para trás. Essa decisão não é só minha. Passa pelo partido, pelos aliados e, principalmente, por quem mora aqui. O que eu posso garantir é que, se esse for o caminho, vou chegar preparado, com projeto e com o trabalho de fiscalização que venho fazendo na Câmara.
Pelo Estado – Quais são os próximos passos?
Rodrigo – Seguir cobrando e apresentando proposta. Vou continuar em cima da CPI, da taxa do lixo e da segurança, com dado na mão. Meu compromisso é com o morador de São José, que trabalha, paga imposto em dia e quer ver resultado.
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Produção e edição
Por Celina Sales para APJ/SC e ADI/SC
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