Audiência pública na Câmara de Itapema discutiu alternativas para fortalecer a coleta seletiva, ampliar a reciclagem e melhorar as condições de trabalho dos catadores.- Foto: Divulgação/CVI

Audiência pública na Câmara apresentou modelo regional de reaproveitamento de resíduos e apontou a educação ambiental e a inclusão social como desafios para o município

A Câmara de Vereadores de Itapema reuniu representantes do poder público, cooperativas e entidades ligadas à reciclagem na quarta-feira (15) para discutir caminhos para melhorar a gestão de resíduos sólidos. O encontro abordou desde a qualidade dos materiais recolhidos até a estrutura oferecida aos trabalhadores que atuam na triagem e no reaproveitamento.

Modelo regional inspira alternativas

Um dos destaques foi a apresentação do programa Vale Reciclar, conduzido pelo Consórcio Intermunicipal do Médio Vale do Itajaí (CIMVI). O diretor da entidade, Fernando Tomaselli, explicou como o sistema adotado por 22 municípios integra a coleta nas áreas urbanas e rurais, ações de educação ambiental e alternativas para dar destino aos resíduos que não podem ser reciclados pelos métodos convencionais.

Entre as possibilidades apresentadas está a transformação de rejeitos em produtos como blocos, pisos, bancos e decks. A proposta busca aproveitar materiais de baixo valor comercial e reduzir o volume destinado ao descarte.

Educação ambiental e estrutura das cooperativas

Representantes do setor ressaltaram que a separação correta dos resíduos começa nas casas e depende de orientação contínua à população. Quando materiais recicláveis chegam misturados ao lixo comum, a triagem se torna mais demorada e o trabalho das cooperativas perde eficiência.

Os participantes também defenderam melhores condições para os espaços de triagem, com atenção ao zoneamento e à infraestrutura. Afonso da Rocha Junior, do Grupo de Assistência Saúde e Ensino Nacional (GASEN), observou que o custo da coleta seletiva precisa ser analisado em conjunto com as possibilidades de reaproveitamento dos materiais.

Catadores autônomos também precisam ser incluídos

Outro ponto importante foi a situação dos catadores que trabalham de forma independente. Alexandre Deucher, representante da Federação Catarinense dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis, alertou que sistemas que restringem a atividade às cooperativas podem deixar trabalhadores autônomos sem acesso às oportunidades de renda.

Genilda Bete de Lima, sócia-fundadora da Cooperitapema, destacou a dimensão social da atividade. Segundo ela, a cooperativa reúne 15 sócios, representa 15 famílias e alcança cerca de 70 pessoas. A entidade tem participação feminina expressiva: 80% dos integrantes são mulheres.

Próximo passo pode ser um projeto de lei

Ao final da audiência, o vereador Márcio Silva informou que pretende apresentar um projeto de lei para melhorar as condições em que os materiais recicláveis chegam às cooperativas. A proposta, segundo ele, deverá ser construída com a participação de representantes dos catadores para considerar a realidade local.

A discussão abriu espaço para avaliar medidas que combinem eficiência na coleta, educação ambiental, valorização dos trabalhadores e inclusão dos catadores na política municipal de resíduos. O projeto anunciado ainda é uma intenção e precisará passar pelas etapas legislativas antes de eventual aprovação.