
Investigação aponta esquema de “abate de porcos” e movimentações financeiras que ultrapassam R$ 30 bilhões
Uma mulher de cerca de 70 anos perdeu mais de R$ 37 milhões após cair em um sofisticado golpe envolvendo uma falsa plataforma de investimentos em criptomoedas. A vítima, moradora de Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, tinha experiência no mercado financeiro e perdeu recursos provenientes de uma herança e de investimentos acumulados ao longo dos anos.
O caso deu origem à Operação Criptoabate, deflagrada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul para investigar uma estrutura suspeita de fraude, lavagem de dinheiro e movimentação de recursos por meio de empresas e instituições financeiras.
✈️ MORADOR DE BALNEÁRIO CAMBORIÚ FOI PRESO
Entre os alvos da operação está um empresário que mora em Balneário Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina. Ele foi preso no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, com apoio da Polícia Federal.
Segundo a investigação, o homem é proprietário de uma das instituições financeiras sob apuração e uma conta pessoal ligada a ele recebeu R$ 77 milhões em movimentações relacionadas ao período investigado.
A operação também teve como alvo outros responsáveis por instituições que, segundo a Polícia Civil, teriam atuado na conversão de dinheiro tradicional em criptomoedas.
📱 COMO A VÍTIMA FOI CONVENCIDA
A investigação aponta que a idosa foi incluída em grupos de mensagens que aparentavam ser comunidades legítimas voltadas ao estudo e à realização de investimentos.
Dentro desses grupos, pessoas apresentadas como especialistas e assessores compartilhavam análises de mercado, supostos resultados positivos e orientações sobre investimentos.
A estrutura era montada para transmitir credibilidade e criar confiança. Com o passar do tempo, a vítima teria sido convencida a aumentar progressivamente os valores aplicados.
🚨 O GOLPE APARECEU QUANDO ELA TENTOU SACAR
A fraude teria ficado evidente quando a mulher tentou retirar o dinheiro investido e descobriu que os recursos estavam bloqueados.
A partir daí, os criminosos passaram a exigir novos pagamentos, apresentados como taxas, impostos ou valores necessários para liberar os supostos investimentos.
A cada transferência, surgia uma nova justificativa para cobrar mais dinheiro. Na tentativa de recuperar o patrimônio, a vítima continuou realizando pagamentos até perceber que havia sido enganada.
De acordo com a investigação, ela permaneceu envolvida com o esquema por cerca de seis meses antes de procurar as autoridades.

👥 POLÍCIA JÁ IDENTIFICOU 140 POSSÍVEIS VÍTIMAS
O caso deixou de ser tratado como uma fraude isolada. Durante a investigação, a Polícia Civil identificou ao menos 140 possíveis vítimas que teriam sido submetidas a uma dinâmica semelhante.
A apuração indica que o esquema possuía uma estrutura organizada e dividida em diferentes funções, incluindo captação de vítimas, abertura e movimentação de contas, intermediação financeira e transferência de valores para operações com criptomoedas.
💸 MOVIMENTAÇÃO SUSPEITA CHEGA A R$ 30 BILHÕES
Um dos números que mais chama atenção na investigação é o volume financeiro movimentado pelas pessoas físicas e empresas relacionadas ao esquema.
Segundo a Polícia Civil, as transações consideradas atípicas ultrapassam R$ 30 bilhões.
Esse valor, porém, precisa ser interpretado corretamente: não significa que R$ 30 bilhões tenham sido comprovadamente obtidos por meio de golpes. Trata-se do volume global de movimentações consideradas suspeitas e analisadas durante a investigação.
Em um dos casos identificados, uma instituição financeira teria movimentado R$ 295 milhões em apenas um dia na conversão de moeda tradicional para criptomoedas.
🐷 O QUE É O “GOLPE DO ABATE DE PORCOS”?
A modalidade investigada é conhecida internacionalmente como “pig butchering”, expressão que pode ser traduzida como “abate de porcos”.
O nome faz referência à maneira como os criminosos agem: primeiro, constroem uma relação de confiança com a vítima e, aos poucos, apresentam oportunidades aparentemente lucrativas.
Depois de conquistar a confiança, passam a estimular aportes cada vez maiores. A vítima acompanha, por meio de plataformas falsas ou informações manipuladas, supostos lucros que não existem.
Quando tenta recuperar o dinheiro, descobre que os recursos estão bloqueados e passa a ser pressionada a fazer novos pagamentos.
🔎 INVESTIGAÇÃO SEGUE EM ANDAMENTO
A Operação Criptoabate foi resultado de uma investigação que durou mais de um ano e utilizou análise bancária e telemática, inteligência financeira e rastreamento de ativos virtuais.
Ao todo, foram expedidos 10 mandados de prisão preventiva e 16 mandados de busca e apreensão em três estados. Parte dos investigados foi presa, enquanto outros permaneciam foragidos no momento da divulgação da operação.
A investigação busca identificar o papel de cada suspeito, rastrear os recursos movimentados e verificar a extensão do esquema.
⚠️ ALERTA PARA QUEM INVESTE PELA INTERNET
O caso também serve de alerta para um tipo de golpe que utiliza aparência profissional, promessa de alta rentabilidade e relacionamento prolongado com a vítima para conquistar confiança.
Especialistas e autoridades recomendam desconfiança diante de promessas de ganhos elevados, plataformas desconhecidas, grupos de investimento em aplicativos de mensagens e cobranças adicionais para liberar supostos lucros.
A principal característica desse tipo de fraude é justamente fazer com que a vítima acredite que está vendo seu patrimônio crescer, quando, na realidade, o dinheiro já foi desviado.









