
Empresário acompanhou pescadores durante a safra da tainha e voltou a questionar limites impostos à atividade tradicional catarinense
O empresário Luciano Hang participou neste fim de semana de um tradicional lanço de tainha em Bombinhas e aproveitou o momento para manifestar apoio às comunidades pesqueiras catarinenses e criticar as limitações impostas à pesca da espécie no litoral do estado. Em vídeos compartilhados nas redes sociais, o dono da Havan aparece ajudando pescadores do Rancho do Kenko a puxar a rede, acompanhado moradores, turistas e trabalhadores que participavam da movimentação na praia durante a safra.
A presença do empresário chamou atenção nas redes e reacendeu o debate sobre as cotas de captura da tainha em Santa Catarina, tema que há anos divide pescadores artesanais, representantes do setor pesqueiro, ambientalistas e órgãos do Governo Federal. Neste ano, a temporada começou com aumento de 20% no limite total de captura em comparação com 2025. A cota autorizada chegou a 5.216 toneladas, o maior volume permitido desde a implantação do sistema de controle, em 2018.
Durante o lanço, Luciano Hang destacou a importância cultural e histórica da pesca artesanal para as comunidades do litoral catarinense. Segundo ele, a atividade atravessa gerações e faz parte da identidade de Santa Catarina, movimentando a economia local e fortalecendo tradições familiares.
Ao conversar com pescadores e moradores, o empresário afirmou que os jovens precisam manter viva a tradição herdada dos antepassados. Ele também ressaltou o impacto social da safra da tainha nas praias da região, que se transformam em ponto de encontro entre moradores, pescadores e turistas durante os meses de outono e inverno.
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Ao lado de Hang, pescadores também relataram dificuldades enfrentadas pela categoria e defenderam maior apoio às comunidades pesqueiras. Segundo trabalhadores do setor, a safra representa uma das principais fontes de renda de centenas de famílias catarinenses ao longo do ano.
Em outro trecho divulgado nas redes sociais, Luciano Hang criticou diretamente as restrições impostas pelo Governo Federal para captura da espécie. O empresário classificou as medidas como excesso de burocracia e afirmou que os pescadores deveriam ter maior liberdade para exercer a atividade tradicional.
A pesca da tainha é reconhecida oficialmente como patrimônio cultural imaterial de Santa Catarina desde 2012. Todos os anos, a chegada dos cardumes movimenta dezenas de cidades do litoral catarinense, mobilizando ranchos de pesca, moradores e turistas. A espécie Mugil liza migra da região da Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, e do Uruguai em direção às águas mais quentes do litoral catarinense durante o período reprodutivo.
As cotas de captura foram implementadas após alertas sobre redução dos estoques pesqueiros e episódios de sobrepesca registrados em temporadas anteriores. Em 2023, por exemplo, a modalidade industrial de cerco chegou a receber cota zero após o rompimento sucessivo dos limites autorizados nos anos anteriores.
Desde então, as regras relacionadas à pesca da tainha passaram a gerar frequentes disputas políticas e judiciais envolvendo o Governo Federal, representantes do setor pesqueiro e autoridades catarinenses. Enquanto pescadores artesanais defendem flexibilizações nas cotas, o Ministério da Pesca e Aquicultura afirma que os limites são definidos com base em critérios técnicos e científicos para garantir a preservação da espécie e a continuidade da atividade pesqueira no futuro.
Mesmo diante das divergências, a safra segue mobilizando comunidades inteiras em Santa Catarina, mantendo viva uma das manifestações culturais mais tradicionais do litoral sul brasileiro.









