
Perícia veterinária, mandados e depoimentos são organizados em cronologia um mês após morte do cão
A morte do cão comunitário conhecido como Orelha na Praia Brava, em Florianópolis, completa um mês nesta quarta-feira (4), e a Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) segue reunindo evidências e esclarecendo o caminho percorrido pela investigação. O caso de maus-tratos, que ganhou repercussão nacional e mobilizou protestos por justiça, já envolveu diligências, perícias tecnológicas e o indiciamento de três adultos por coação de testemunha.
A seguir, a linha do tempo organizada pela PCSC mostra como os fatos foram sendo apurados:
4 de janeiro – Domingo: Orelha, um cão comunitário de cerca de 10 anos muito querido pelos moradores, foi brutalmente agredido na Praia Brava. Imagens diretas do ato não foram encontradas, mas registros indicam a participação de quatro adolescentes no ataque.
5 de janeiro – Segunda: O animal é encontrado ferido por membros da comunidade e levado para atendimento veterinário, mas devido à gravidade das lesões, que incluíam fraturas na cabeça, ele é submetido à eutanásia.
6 de janeiro – Terça: Investigações preliminares apontam que o mesmo grupo pode ter tentado afogar outro cachorro comunitário chamado Caramelo. A polícia apura se há conexão entre esses episódios.
11 de janeiro – Domingo: Uma ocorrência envolvendo ofensas a um porteiro e furto de bebidas em um quiosque na região é registrada; testemunhas que documentaram movimentações dos suspeitos passam a ser alvo de tentativas de intimidação.
13 de janeiro – Terça: Três adultos — pais e um tio de alguns dos adolescentes investigados — são indiciados por coagir o porteiro para que ele não revelasse informações à polícia.
14 de janeiro – Quarta: Uma ocorrência com o registro de uma bomba em uma residência próxima chama atenção das autoridades, embora não esteja diretamente associada aos maus-tratos.
16 de janeiro – Sexta: O caso é oficialmente registrado na PCSC, que passa a conduzir a investigação com apoio do Ministério Público.
19 de janeiro – Segunda: A primeira fase de análise de mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança é concluída, ajudando a reconstruir rotas, horários e eventuais testemunhas.
20 e 23 de janeiro – Terça e Sexta: A polícia solicita e expede mandados de busca e apreensão nas casas de familiares e dos adolescentes, recolhendo celulares e equipamentos para perícia.
26 de janeiro – Segunda: Os mandados começam a ser cumpridos, com interrogatórios e coleta de laudos veterinários já anexados ao inquérito.
27 de janeiro – Terça: A PCSC indicia os três adultos por coação, encerra parte da oitiva de testemunhas e encaminha o material apurado ao Ministério Público e ao Judiciário.
29 e 30 de janeiro – Quinta e Sexta: Dois dos adolescentes, que estavam nos Estados Unidos em viagem programada e não tinham relação com a viagem no momento do crime, são intimados a depor após retorno; todos os envolvidos prestam depoimentos e os aparelhos são analisados por softwares especializados.
A investigação ainda conta com o apoio do CiberLab da PCSC, que realiza análises digitais aprofundadas para mapear rotas, posicionamentos e comunicações dos investigados. Até o momento, a Polícia Civil não confirmou a relação de “desafios” online como fator motivador das agressões.
O caso mobilizou manifestações em várias cidades brasileiras, com pedidos de justiça e debates sobre políticas de proteção animal e punição de maus-tratos.
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